Rumen Radev a caminho de vitória clara nas eleições da Bulgária

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O ex-Presidente pró-russo Rumen Radev caminha para uma vitória esmagadora nas eleições na Bulgária, segundo as sondagens à boca das urnas divulgadas na noite deste domingo, depois de prometer pôr fim a uma sucessão de governos fracos e de curta duração. O mais provável é que, mesmo assim, venha a precisar de parceiros de coligação para formar uma maioria no Parlamento.

Radev, um eurocéptico e antigo piloto de caças que se opõe ao apoio militar à Ucrânia na guerra contra Moscovo, deixou a presidência em Janeiro para formar um partido para se candidatar às eleições legislativas, que se realizam depois de protestos em massa terem levado à queda do Governo anterior em Dezembro.

A sua campanha beneficiou de uma onda de frustração com a instabilidade política neste país balcânico de 6,5 milhões de habitantes, que realizou oito eleições em cinco anos e onde os eleitores estão cansados da corrupção e dos partidos tradicionais que dominaram a política durante décadas.

A sondagem final à boca das urnas, realizada pela Alpha Research atribuiu ao partido Bulgária Progressistas de Radev 38,1% dos votos, mais do dobro do partido GERB, em segundo lugar, liderado pelo antigo primeiro-ministro Boyko Borissov, que obteve 15,9%. As percentagens exactas de outras sondagens variam, mas também apontam para uma vitória clara de Radev. Se a contagem dos votos confirmar este resultado, será um dos mais fortes desempenhos de um partido nos últimos anos.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar que o país volte a eleições. Seria algo ruinoso para a Bulgária”, afirmou Radev aos jornalistas, em breves declarações após a divulgação das sondagens à boca das urnas.

O ex-Presidente acrescentou estar disposto a trabalhar com a coligação reformista pró-europeia Continuamos a Mudança-Bulgária Democrática (PP-DB), que aparece em terceiro lugar, de acordo com a sondagem da Alpha Research, com 14,1%, para levar a cabo uma reforma judicial, mas acrescentou que um Governo minoritário também é uma opção no Parlamento de 240 deputados.

“Estamos prontos para considerar diferentes opções para que a Bulgária possa ter um governo regular e estável”, afirmou.

Os resultados finais das eleições são esperados na segunda-feira.

Viragem para a Rússia

Na sua campanha, Radev falou em melhorar as relações com Moscovo e retomar o fluxo livre de petróleo e gás russos para a Europa.

Não é claro até que ponto isso influenciará a política externa da Bulgária, membro da NATO e da União Europeia, que aderiu à moeda única em Janeiro — uma decisão criticada por Radev.

De qualquer forma, uma campanha eficaz nas redes sociais, recursos financeiros significativos e a promessa de estabilidade reforçaram o apoio ao ex-Presidente, e a sua participação aumentou o interesse dos eleitores. A Alpha Research calculou uma taxa de participação de 47% quando faltava ainda uma hora para o fecho das urnas, acima dos 39% registados nas últimas eleições, em Outubro de 2024.

Borissov pareceu reconhecer a derrota numa publicação no Facebook, mas deixou um aviso: “Ganhar as eleições é uma coisa; governar é outra bem diferente. As eleições decidem quem fica em primeiro lugar, mas as negociações é que decidem quem governa.”

A Bulgária desenvolveu-se rapidamente desde a queda do comunismo em 1989 e aderiu à UE em 2007. A esperança média de vida aumentou significativamente, o desemprego é o mais baixo entre os 27 Estados-membros e a economia dispõe de maiores mecanismos de protecção desde a adesão à zona euro em Janeiro.

No entanto, o país continua atrás de outros Estados-membros em vários indicadores, e a corrupção permanece endémica, incluindo nas eleições, onde a compra de votos é generalizada.

A votação trouxe algum optimismo. “Há agora uma oportunidade para que as mudanças que as pessoas têm vindo a esperar possam finalmente tornar-se visíveis”, disse Evelina Koleva, gestora numa empresa de marketing digital. “Agora, num futuro próximo, com esta escolha.” Reuters

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