Rússia perde terreno na Ucrânia pela primeira vez em dois anos

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A Rússia aumentou significativamente a intensidade dos ataques na Ucrânia durante o mês de Maio, mas, apesar da pressão acrescida sobre as linhas da frente, terá perdido terreno pela primeira vez em quase dois anos, segundo dados divulgados por analistas militares ucranianos e ocidentais.

A plataforma independente DeepState, uma das principais referências na monitorização da guerra através de fontes abertas, indicou esta semana que as forças russas registaram uma perda territorial líquida ao longo do último mês, algo que não acontecia desde 2023, quando a Ucrânia lançou a sua última grande contra-ofensiva.

Segundo a organização, Moscovo conquistou cerca de 14 quilómetros quadrados em Maio, mas os avanços ucranianos, cujos detalhes foram temporariamente omitidos por razões de segurança operacional, terão sido superiores. A DeepState afirmou estar já em condições de concluir que o balanço final do mês será negativo para as forças russas.

A inversão da tendência ocorreu apesar de um aumento expressivo da actividade militar russa. A plataforma contabilizou mais de sete mil ataques contra posições ucranianas em Maio, um crescimento de 37,5% face ao mês anterior. Números semelhantes foram divulgados pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, que registou 7008 ataques russos na linha da frente em Maio, comparando com 5085 em Abril.

Outras análises independentes apontam no mesmo sentido. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), centro de investigação sediado em Washington, concluiu que a Rússia já tinha registado uma perda líquida de cerca de 116 quilómetros quadrados em Abril. Em Maio, segundo os cálculos da mesma organização, as perdas líquidas terão aumentado para cerca de 280 quilómetros quadrados.

Os dados representam uma desaceleração significativa do avanço russo em território ucraniano. Em Novembro de 2024, por exemplo, Moscovo chegou a conquistar cerca de 725 quilómetros quadrados num único mês, um dos períodos de maior progressão territorial desde o início da invasão em larga escala, em Fevereiro de 2022.

Nova cadeia de comando

Caso a tendência se confirme, será a primeira vez desde o Verão de 2023 que a Ucrânia recupera território em termos líquidos. A contra-ofensiva lançada nesse ano, apoiada por equipamento militar fornecido pelos países da NATO, acabou por ficar aquém das expectativas, com as forças ucranianas a recuperarem apenas cerca de 390 quilómetros quadrados e sem provocar uma ruptura decisiva nas linhas russas.

Os analistas atribuem a recente melhoria da posição ucraniana a vários factores. A DeepState destaca mudanças na cadeia de comando militar promovidas pelo novo ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, que assumiu a coordenação do esforço de guerra em Janeiro e promoveu vários oficiais considerados mais eficazes para cargos de maior responsabilidade.

Por seu lado, o ISW e o Ministério da Defesa britânico sublinham o impacto crescente dos ataques com drones ucranianos contra centros logísticos, infra-estruturas de transporte e posições de retaguarda russas. Estas operações, realizadas a distâncias entre 50 e 80 quilómetros da linha da frente, estarão a dificultar o abastecimento das tropas russas e a reduzir a capacidade de Moscovo para transformar a superioridade numérica em ganhos territoriais.

Apesar destes sinais favoráveis para Kiev, os analistas alertam que ainda é cedo para concluir que se está perante uma mudança duradoura no rumo da guerra, que continua marcada por combates intensos ao longo de uma frente com mais de mil quilómetros de extensão.

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