Rutte entende “desilusão” de Trump mas garante que aliados europeus apoiam EUA

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O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, garantiu esta segunda-feira, em Ierevan, que os aliados europeus “ouviram” e “perceberam” a mensagem de descontentamento e insatisfação que a Administração dos Estados Unidos da América lhes quis transmitir no fim-de-semana, com o anúncio da retirada de 5000 soldados actualmente destacados na Alemanha – e por isso já estão a “certificar-se” de que todos os acordos bilaterais assinados com Washington, nomeadamente sobre a utilização de bases militares, “estão a ser aplicados e cumpridos”.

Em mais um exercício de equilibrismo à entrada para a cimeira da Comunidade Política Europeia – que juntou mais de 40 chefes de Estado e governo do continente, e ainda o primeiro-ministro do Canadá, na capital da Arménia –, o líder da Aliança Atlântica disse compreender a “desilusão” do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com as declarações de líderes de países como a Alemanha ou o Reino Unido sobre a guerra no Irão.

Ao mesmo tempo, procurou pôr água na fervura, lembrando que estes países e outros – caso da Croácia, França, Grécia, Itália, Montenegro, Portugal e Roménia – autorizaram o uso das bases norte-americanas nos seus territórios no âmbito da ofensiva contra o Irão, estão a prestar “apoio logístico” às operações, e já se comprometeram a colaborar com as forças dos EUA numa futura missão para garantir a liberdade de navegação através do estreito de Ormuz, após a cessação das hostilidades. “Estão até a pré-posicionar meios perto do Golfo em preparação para a próxima fase”, observou.

A oitava reunião da CPE, que desta vez aconteceu no Cáucaso do Sul, foi a primeira oportunidade para os líderes europeus discutirem as decisões dos EUA no quadro da revisão da sua postura militar no continente, iniciada no Verão do ano passado. A retirada de 5000 tropas estacionadas na Alemanha não foi um choque, mas o “timing” do anúncio constituiu uma surpresa, admitiu a alta representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, Kaja Kallas. “O momento deste anúncio é surpreendente, mas mostra que temos mesmo de fazer mais para reforçar o pilar europeu na NATO”, afirmou.

A chefe do Governo de Itália tem a mesma opinião. “Há já algum tempo que os Estados Unidos estão a discutir uma retirada da Europa, e é por isso que temos de desenvolver as nossas capacidades de defesa”, observou Giorgia Meloni — que não resistiu a alfinetar o Presidente dos Estados Unidos pela sua reacção epidérmica à postura dos aliados europeus sobre a guerra no Irão. “As coisas que foram ditas sobre nós não são justas, até porque, no seio da Aliança Atlântica, nunca ninguém apareceu num contexto formal para pedir o apoio dos aliados relativamente às escolhas que estavam a fazer”, referiu.

Como António Costa vincou à entrada, e depois novamente à saída da cimeira da Comunidade Política Europeia, o conflito no Médio Oriente torna “cada vez mais evidente que o nosso continente necessita de uma visão de 360 graus para a sua segurança”, e também de “parcerias multipolares para promover a paz sustentável e garantir a prosperidade partilhada”. O presidente do Conselho Europeu congratulou-se com o convite dirigido ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que foi o primeiro líder de fora da Europa a participar numa reunião deste fórum intergovernamental de discussão política.

“O Canadá é o mais europeu dos países não europeus”, assinalou Carney, que na sua intervenção inicial na sessão plenária da CPE retomou a linha do seu celebrado discurso no Fórum Económico Mundial de Davos. “Estamos a atravessar um período de ruptura em várias dimensões – tecnologia, energia, comércio, geopolítica –, mas não nos devemos resignar a um mundo transaccional, insular e brutal”, afirmou o líder canadiano, que acredita que “a Europa terá um papel central na reconstrução da ordem internacional”.

Pelo seu lado, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apontou ao papel que a Europa ainda pode desempenhar no processo negocial para um acordo de paz com a Rússia. “Seria bom desenvolver uma voz europeia comum”, sugeriu. As negociações, lideradas pelos EUA, estão congeladas, e Zelensky aproveitou a cimeira em Ierevan para aumentar a pressão para que as partes voltem a sentar-se à mesa – com mais cadeiras. “Precisamos de encontrar um formato diplomático viável para a Europa estar presente em todas as conversações”, disse.

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