Saldo migratório de estrangeiros reduzido a metade em 2025

0
1

Prolongando uma tendência que se regista já desde meados de 2024, o saldo migratório de estrangeiros em Portugal reduziu-se a metade entre 2024 e 2025, revelam os números publicados nesta segunda-feira pelo Banco de Portugal, que alerta para os efeitos que tal pode ter no ritmo de crescimento do emprego e na disponibilidade de recursos no mercado de trabalho no país.

Segundo as contas do banco central, feitas a partir dos dados dos registos da Segurança Social, a diferença entre as entradas de estrangeiros no país e a sua saída reduziu-se de forma significativa em 2025, quando comparada com os valores de 2024. O número de entradas líquidas passou de 13.200 indivíduos por mês ao longo de 2024 para 6200 em 2025, isto é, menos de metade.

Este resultado, explica o banco, “reflectiu a conjugação de menos entradas com mais saídas de estrangeiros”. Do lado das entradas, que chegaram a estar acima das 20 mil por mês entre meados de 2022 e meados de 2024, o valor estabilizou-se ligeiramente acima dos 10 mil ao longo de 2025, ainda com uma ligeira tendência decrescente.

Do lado das saídas de estrangeiros do país, acentuou-se em 2025 uma tendência de subida, com os valores agora a estarem situados perto dos 5000 por mês.

Em conjunto, estes dois fenómenos fizeram diminuir o saldo, o que constitui uma alteração significativa face aos desenvolvimentos observados nos últimos anos”.

De facto, os números agora apresentados pelo Banco de Portugal confirmam que, após um período entre 2016 e 2023, com uma interrupção durante a pandemia, em que o saldo migratório de estrangeiros subiu de forma acentuada, atingindo valores mensais acima de 20 mil, se registou, a partir de meados de 2024, com a adopção de uma política de imigração mais restritiva por parte do Governo liderado por Luís Montenegro, uma inversão súbita da tendência.

As consequências para a economia, o mercado de trabalho e a Segurança Social podem ser significativas.

O aumento registado até 2023 permitiu que as empresas nacionais encontrassem, num cenário de recuperação de sectores de actividade como o turismo, a restauração e a indústria, mão-de-obra disponível. Isso reflectiu-se numa subida do número de pessoas empregadas, num aumento do consumo privado e numa melhoria muito significativa dos saldos da Segurança Social.

Agora, o cenário já revela mudanças. O banco central diz no relatório que, apesar de a percentagem de empresas que reportam dificuldades em contratar pessoal qualificado se ter reduzido em 2025 e no início de 2026, esta manteve-se, ainda assim, “em valores acima da média histórica na construção e na indústria”. “A disponibilidade de recursos no mercado de trabalho permaneceu limitada em 2025”, diz o banco.

Confirmando esta ideia, Álvaro Santos Pereira afirmou nesta segunda-feira “ser evidente que, para o sectores produtivos como o turismo ou a construção, a imigração é absolutamente essencial”, havendo também um “impacto muito grande nas contas da Segurança Social” a ter em conta.

O governador do Banco de Portugal defendeu, por isso, ser importante que Portugal tenha “uma política de imigração em que se veja quais são os sectores onde há mais falta de mão-de-obra, tentando depois trazer para o país as pessoas com as qualificações que são necessárias”.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com