A selecção portuguesa tem jogado quase sempre com um extremo mais vertical (geralmente Pedro Neto ou Francisco Conceição) e um mais interior (quase sempre Bernardo ou Félix). Também não é inédito actuar com dois alas mais verticais. O que raramente acontece é ter dois extremos mais interiores e associativos em simultâneo, abrindo o corredor para os laterais.
Para Roberto Martínez, essa não é uma questão relevante. Mais relevante é que há perfis para fazer várias duplas diferentes. “Já tivemos muitos perfis. Percebo a pergunta, mas já jogámos com alas de pé trocado. Podemos utilizar Nuno Mendes e Bruno Fernandes entrelinhas, Bernardo Silva, Félix, Trincão… não é uma questão”, começou, na conferência de imprensa de antevisão do Portugal-Uzbequistão.
E continuou: “O ponto forte é a nossa riqueza, temos muitas opções. Mas temos de escolher o momento do jogo, dos jogadores, as ligações, o trabalho que fazemos e, claro, o adversário. E isso é o que a selecção faz muito bem: procurar duplas diferentes, ideias tácticas diferentes e uma flexibilidade que permite utilizar perfis diferentes”.
No fundo, Martínez não quis responder à questão e optou por afagar o ego de todos os que podem ser escolhidos – algo que já mostrou fazer com mestria em cada encontro com a imprensa desde que chegou a Portugal.
A reacção mental
Sobre o que tem de ser corrigido do Congo para o Uzbequistão, Martínez apontou uma e outra vez a consistência. “Os primeiros 20 minutos foram muito bons, mas os últimos 25 minutos da primeira parte foram muito maus. O nível de disciplina e posições foram muito maus nos últimos 25 minutos da primeira parte”.
E mais do que apontar alguma melhoria estratégica ou táctica, o espanhol apontou que o trabalho tem de ser mental. “Estreia no Mundial foi emotiva. No primeiro jogo houve muitos aspectos emotivos que fazem parte e não foi aquilo que queríamos”, apontou.
Martínez lembrou que encontrar situações de golo não costuma ser um ponto fraco da equipa portuguesa e reforçou que o trabalho tem, portanto, de ser mais psicológico. “Limpar sentimento de raiva e tristeza por não termos atingido o resultado que queríamos. O trabalho feito foi muito muito bom”. E garantiu que a escolha do “onze” não pode ser emocional. “Onze não é como uma reacção emotiva em relação ao primeiro jogo”, apontou, sugerindo que não haverá muitas alterações na equipa.
Desafiado ainda a definir o adversário, Martínez defendeu que o Uzbequistão é uma equipa com muitas virtudes e poucos defeitos. Questionado sobre o ponto fraco do adversário, o espanhol optou primeiro por não responder: “Todas as equipas no mundo têm pontos fracos e pontos fortes”.
Pouco depois, noutra questão, aceitou alongar-se – mas sobre as virtudes. “O Uzbequistão sente-se muito bem com linha de cinco. Tem transições muito rápidas. E trabalha muito bem a bola parada. É uma equipa muito completa”.
Portugal joga nesta quarta-feira frente ao Uzbequistão, o segundo jogo da selecção nacional no grupo K do Mundial 2026. Uma vitória deixa Portugal apurado para os 16 avos-de-final da competição (restará saber em que posição no grupo), mas uma derrota ou um empate obrigarão a pontuar na terceira jornada frente à Colômbia – jogo a 27 de Junho, em Miami.
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