Semana do Brasil em Portugal enfrenta caos no aeroporto de Lisboa e greve geral

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O Brasil está no centro de uma ampla agenda de eventos em Portugal, que vai da área acadêmica à jurídica, passando pela música, literatura, negócios e investimentos. Os eventos, que começaram em 27 de maio e vão até 3 de junho, ocorrem em meio ao caos no aeroporto de Lisboa, onde as filas de espera para entradas e saídas do país chegam a seis horas, e à greve geral marcada para a próxima quarta-feira.

Os organizadores dos eventos têm emitido uma série de recomendações aos participantes que vêm, sobretudo, do Brasil. Somente o Fórum de Lisboa, que tem à frente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), terá a participação de mais de duas mil pessoas, incluindo autoridades do Governo brasileiro. Em grupos de WhatsApp, vários desses participantes têm mostrado preocupação com a demora para cruzarem a área de imigração no terminal de Lisboa.

Donos de restaurantes e gestores de hotéis estão apreensivos, pois, durante a realização do Fórum, que está na 14ª edição, o movimento em Lisboa aumenta muito. Somente no ano passado, na semana do evento realizado por Gilmar Mendes, foram movimentados cerca de 30 milhões de euros, nas contas dos organizadores. Hotéis de luxo ficaram com lotação esgotada e vários restaurantes foram fechados para festas privadas. A torcida é para que o caos no aeroporto não desamine os inscritos no Fórum a cruzarem o Atlântico.

Filas e voos perdidos

Questionada pelo PÚBLICO Brasil sobre o que está sendo feito para reduzir as filas no aeroporto de Lisboa, a Polícia de Segurança Pública (PSP), responsável pela gestão da área de imigração do terminal, não se manifestou. Sabe-se, porém, que o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, já admite suspender a biometria prevista no Sistema de Entrada e Saída da União Europeia (EES) durante os períodos mais críticos para conter o estrago na imagem do país. O turismo, setor mais afetado pelo caos das filas, representa quase 20% do produto interno bruto (PIB) português.

Filas de espera na entrada e na saída do aeroporto de Lisboa têm sido frequentes e provocado o caos
Arquivo pessoal

As empresas aéreas também estão com campanhas orientando os viajantes sobre os problemas no aeroporto de Lisboa. A TAP, que tem 13 voos diários para o Brasil, recomenda que os passageiros cheguem com, no mínimo, três horas de antecedência ao terminal para não correrem o risco de ficarem presos na fila de imigração. Tornou-se rotina nos últimos dias viajantes perderem os voos ao tentarem sair de Lisboa e conexões, quando desembarcam na capital portuguesa. Os transtornos, nesses casos, são grandes.

Já a Azul informa que os procedimentos relacionados ao Sistema de Entrada e Saída da União Europeia, implantado no aeroporto de Lisboa, são de responsabilidade das autoridades aeroportuárias e podem provocar aumento no tempo das filas para controle de passaportes e imigração. Em nota ao PÚBLICO Brasil, a companhia afirma que orienta, no momento do check-in, que os passageiros sigam diretamente para o portão de embarque, considerando a possibilidade de atraso.

“Como medida adicional, a Azul vem comunicando aos clientes, por email, SMS e WhatsApp, que passou a encerrar o check-in nos voos no aeroporto de Lisboa com maior antecedência — 1h30 antes do embarque — para que tenham tempo adequado para cumprir os procedimentos exigidos. As informações sobre reservas e atualizações dos voos também podem ser acompanhadas no site oficial e no aplicativo da Azul”, assinala a empresa na nota.

Em relação à greve geral em Portugal prevista para 3 de junho, a Azul informa que “acompanha as definições do aeroporto, as atividades locais e os possíveis impactos na sua operação”. E acrescenta: “Caso haja qualquer alteração ou medida necessária relacionada aos seus voos, os clientes serão comunicados oportunamente pelos canais oficiais”. A TAP está permitindo mudanças nas datas de voos sem a cobrança de tarifa. Procurada pelo PÚBLICO Brasil, a Latam não se manifestou.

Agenda cheia

A Semana do Brasil em Portugal, segundo os organizadores, é uma extensão do programa do do Fórum de Lisboa com o intuito de integrar iniciativas acadêmicas, artísticas e culturais. Na quarta-feira, 27 de maio, foram realizados dois eventos. Na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), começou a quinta edição do curso Os Desafios da Democracia no Século XXI, coordenado pelo ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelo professor Vitalino Canas e pela doutora Blanche Marie Evin — as aulas vão até o dia 29.

Já no Arquivo Nacional da Torre do Tombo foi realizado o encontro A língua que nos liga: a língua portuguesa no mundo, que contou com a participação de Luis Reto, ex-reitor do Instituto Universitário de Lisboa (Iscte). Durante sua fala, o professor apresentou o Atlas Global da Língua Portuguesa, estudo que mapeia o impacto cultural, demográfico e geoeconômico do idioma. Na oportunidade, Reto destacou que cerca de 56% dos alunos matriculados hoje nas universidades de Portugal são da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O programa também inclui o colóquio 50 Anos da Constituição Portuguesa, que se realizará nesta sexta-feira (29/05), na Fundação Calouste Gulbenkian, integrado às comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa. Em Oeiras, no dia 31 de maio, acontecerá o evento Diálogos sobre Inovação e Direito, com as participações de Gilmar Mendes, do senador brasileiro Eduardo Gomes, do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do STJ, e de Edoardo Celeste, da Dublin City University (DCU).

Em 1º de junho, a Embaixada do Brasil em Portugal recebe o Encontro de Escritores — Dois Atlânticos, com José Roberto de Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), e do escritor angolano José Eduardo Agualusa. No dia seguinte, o mesmo espaço acolhe Rotas Visuais — Entre o Brasil e Portugal, que inclui o lançamento dos livros Os Caminhos da Mulher na Arte Brasileira, de Marta Fadel, e Hugo França — Esculturas Mobiliárias, da FGV Arte, em colaboração com o Atelier Hugo França.

O XIV Fórum de Lisboa, por sua vez, irá de 1º a 3 de junho na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Organizado pelo IDP, pela FGV Justiça e pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL), com apoio do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE), o evento terá debates permeados pelo tema Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais.

Em paralelo aos eventos do Fórum, o cantor e compositor Caetano Veloso se apresenta, no sábado, 30 de maio, no Coala Festival, que acontece no Hipódromo Manuel Posso, em Cascais. O evento, que se estenderá para o dia 31, contará com outros artistas brasileiros: Lulu Santos, Marina Sena, João Gomes, Zeca Veloso e Zé Ibarra. Na Praça Eduardo VII, em Lisboa, dezenas de escritores brasileiros apresentam suas obras na Feira do Livro, que vai até 14 de junho.

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