A Reserva Natural da Serra da Malcata, no concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, constituirá uma nova área de reintrodução do lince-ibérico, conforme revelou a ministra do Ambiente e Energia no passado sábado.
“Inicialmente havia o lince da Malcata e nós gostávamos de começar também a reintroduzir, novamente, nessa área”, afirmou a governante que tutela as pastas do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, em declarações à agência Lusa.
A ministra falava à margem da apresentação do novo Plano de acção para a conservação do lince-ibérico (Lynx pardinus) em Portugal 2026-2030 (PACLIP), que teve lugar na tarde de sábado na 42.ª Ovibeja.
Reintrodução na Malcata
O PACLIP 2026-2030 pretende contribuir para a meta ibérica de criar oito novos núcleos populacionais, tendo como objectivo definir uma nova área de reintrodução do lince-ibérico em Portugal até 2030.
Segundo Maria da Graça Carvalho, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já se encontra em conversações com a autarquia de Penamacor, cujo território abrange a Serra da Malcata, a fim de delimitar “uma zona cercada” destinada à reintrodução da espécie.
“Será um espaço vedado, mas de dimensões consideráveis, pois o projecto visa que o lince permaneça no meio e não em cativeiro, embora o processo se inicie numa zona delimitada”, esclareceu.
O novo plano, que sucede ao anterior de 2015-2020, assenta em dez eixos fundamentais, designadamente a protecção legal e administrativa da espécie, a monitorização conjunta, a conservação e recuperação do habitat, bem como a gestão genética e conectividade, reintroduções de exemplares ou reprodução em cativeiro.
A prevenção de conflitos, a participação social, o desenvolvimento rural e a comunicação ambiental constituem outros pilares desta iniciativa, a par da investigação científica, da articulação técnica entre Portugal e Espanha e da redução da mortalidade do lince-ibérico.
Redução da mortalidade
Não obstante os esforços planeados, os dados revelam uma realidade preocupante: nos últimos dez anos, o atropelamento figurou como a principal causa de morte da espécie, contabilizando-se, até Novembro de 2025, um total de 67 ocorrências.
“Temos registado diversas baixas por atropelamento, o que é lamentável, tratando-se de uma espécie que exige tamanha dedicação e investimento… Esta é uma das vertentes em que já estamos a trabalhar, mas que pretendemos reforçar substancialmente”, sublinhou Maria da Graça Carvalho.
A instalação de sinalética de advertência e o recurso a sistemas de inteligência artificial (IA) — que alertam os condutores para a proximidade dos animais — são duas das medidas adoptadas para mitigar o problema.
Novo ciclo
Em declarações à Lusa, o director regional do ICNF de Lisboa e Vale do Tejo, Carlos Albuquerque, referiu que o PACLIP inaugura “um novo ciclo”, servindo de alavanca para enfrentar “novos desafios”.
“Tudo o que se publica sobre o lince evoca sucessos sucessivos, mas urge não negligenciar as adversidades e o reverso da medalha, nomeadamente a perda de exemplares por atropelamento ou a predação em galinheiros”, advertiu o responsável.
Para Carlos Albuquerque, este programa permitirá que a estratégia se molde a tais contingências, uma vez que “este êxito populacional acarreta este retorno”. Em todo o caso, o director regional reiterou que este empreendimento permanece um “símbolo de sucesso”.
Reprodução em cativeiro
No decorrer da sessão, foi firmado um protocolo de cooperação entre o ICNF e as Águas do Algarve para o Programa de Reprodução em Cativeiro de Lince-ibérico em Portugal. O acordo prevê a atribuição de “350 mil euros anuais” pela empresa, até 2037, assegurando a “estabilidade e segurança financeira” da iniciativa.
A recuperação e conservação do lince-ibérico centrou-se, numa fase embrionária, na reprodução em cativeiro, tendo os primeiros exemplares sido devolvidos à natureza em 2011. Desde esse ano e até 2014, foram libertados 403 animais nascidos em centros de reprodução.
Esta missão de salvaguarda do lince-ibérico congrega diversas entidades públicas e privadas de Portugal e Espanha, cabendo ao ICNF a coordenação em território nacional.
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