A Fundação de Serralves promove, até 26 de Abril, a 12.ª edição do Bioblitz, um dos maiores eventos nacionais dedicados à sensibilização para a biodiversidade. Em 2026, a iniciativa destaca-se pelo foco inédito nos ecossistemas do solo e pela extensão do programa a 22 municípios.
Desde o início da semana, o Bioblitz tem-se dedicado à comunidade educativa, do pré-escolar ao ensino secundário e profissional, sendo promovidas mais de mil actividades pedagógicas no Parque de Serralves. No fim-de-semana de 25 e 26 de Abril, o Parque de Serralves abre portas gratuitamente ao público, entre as 10h e as 19h, com uma oferta que cruza ciência, cultura e lazer.
O Festival do Solo é uma das componentes centrais e mais inovadoras deste Bioblitz Serralves, numa iniciativa europeia promovida no âmbito do Projecto Soilscape. O principal objectivo é convidar comunidades, artistas, cientistas e cidadãos a reflectir e a agir em torno da relação entre a sociedade e o solo.
“Um acto de responsabilidade”
A relevância do tema do evento em 2026 é sustentada por dados científicos recentes. A erosão hídrica compromete cerca de um terço das áreas agrícolas nacionais, afectando a produtividade dos solos e a biodiversidade associada. A intensificação agrícola, a expansão das monoculturas e a recorrência de incêndios e secas têm acelerado a perda de carbono no solo, contribuindo para processos de desertificação.
No que respeita à fauna e flora, 18% das espécies com ocorrência em Portugal apresentam estatuto de ameaça, pressionadas sobretudo pela perda e fragmentação de habitats e pelas alterações climáticas.
“A crise ambiental é uma urgência que atravessa o presente e interpela cada um de nós. Compreender a biodiversidade, mais do que um exercício de conhecimento, é um acto de responsabilidade”, sublinham Helena Freitas, ecóloga da Universidade de Coimbra e directora do Parque de Serralves, e Mariana Roldão, coordenadora do Serviço Educativo Ambiente de Serralves, em resposta o Azul.
Para ambas, o Bioblitz afirma-se como “uma das mais poderosas mobilizações nacionais em torno da natureza”, reunindo ciência, educação e sociedade numa experiência participativa. A iniciativa enquadra-se no Objectivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 15, “Proteger a Vida Terrestre”, da Agenda 2030 das Nações Unidas.
O solo no centro do debate
A edição de 2026 integra o Festival do Solo, enquadrado na missão “Um pacto do solo para a Europa” e na primeira legislação europeia especificamente dedicada aos solos. A directiva, aprovada pelo Parlamento Europeu em Abril de 2024, obriga os Estados-Membros a monitorizar e avaliar a saúde do solo segundo critérios comuns, com o objectivo de garantir solos saudáveis em toda a Europa até 2050.
Segundo Helena Freitas e Mariana Roldão, o impacto do BioBlitz prolonga-se no tempo através de ferramentas como o Atlas do Parque e a Plataforma Online da Biodiversidade.
“Cada descoberta e cada participante contribuem para uma transformação que ultrapassa o espaço do evento”, sublinham. A mensagem final, escrevem, é clara: “a biodiversidade não se explica apenas — vive-se, sente-se e partilha-se”.
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