Há algum tempo que o principal entrave à adopção de um automóvel 100% eléctrico já não é tanto a estudada “range anxiety”, que se traduz por medo de ficar pelo caminho por causa da curta autonomia da bateria ou pela falta de posto de carregamento para repor energia. É, antes, o preço elevado, apenas colmatado pelos incentivos fiscais que as empresas têm tido e pelos apoios aos particulares, que é apontando como a primeira razão para não equacionar a compra de um eléctrico.
Mas a indústria tem insistido em automóveis 100% eléctricos cada vez maiores, com alcances que até fazem corar um carro a gasolina e, claro, muito caros — facto que não é alheio à exigência cada vez maior no capítulo da segurança, que encarece o produto final, com as marcas a conseguirem margens superiores nos modelos maiores, em comparação com os mais compactos.
Face a este cenário, a Stellantis há algum tempo que defendia que a Europa, à semelhança do que acontece no Japão com os kei cars — veículos urbanos com restrições de tamanho e motor, que beneficiam de custos mais baixos em impostos e seguros —, precisava de uma nova categoria, caracterizada por veículos pequenos, simplificados e económicos.
E, em Setembro do ano passado, depois de verificado o abrandamento da procura e apesar do anúncio da revisão de metas, Bruxelas deixou claro que o futuro continua a ser eléctrico, com a presidente da Comissão Europeia a ir ao encontro dos apelos da Stellantis (e também da Renault), revelando a iniciativa Carros Pequenos a Preços Acessíveis. A nova categoria, que Ursula von der Leyen denominou de E-Car, em que o “E” simboliza ecológico, económico e europeu, deixa antever a adopção de regras mais favoráveis para os automóveis pequenos.
Agora, oito meses depois, a Stellantis dá o primeiro passo para criar essa nova categoria de veículos 100% eléctricos, pequenos e de baixo custo, num esforço para revitalizar o segmento europeu de automóveis mais acessíveis, que deverá chegar ao mercado por cerca de 15 mil euros, avançou a Reuters, citando uma fonte não identificada, mas familiarizada com o processo. Mas o grupo deixa claro que não estará sozinho nesta empreitada. O E-Car, explica a Stellantis, recorrerá a parcerias para manter os custos baixos e acelerar o desenvolvimento. Além disso, o conglomerado espera que a iniciativa apoie os empregos na indústria local.
A Stellantis, nascida da fusão da FCA com a PSA e que reúne marcas como a Citroën (que, com o concept Oli, já tinha revelado a intenção de regressar à ideia de um automóvel simplificado), Fiat, Opel ou Peugeot, afirmou que a produção do E-Car, um veículo acessível, compacto e totalmente eléctrico, terá início em 2028 na sua fábrica de Pomigliano d’Arco, no Sul de Itália, de onde permanece a sair o Fiat Panda (não confundir com o novo Fiat Grande Panda), com potencial para volumes “significativos”.
O anúncio mereceu um comunicado conjunto dos sindicatos italianos, no qual acolhem favoravelmente a novidade, considerando que a nova produção deverá, com o tempo, permitir que a fábrica atinja o pleno emprego. Mas, apesar de satisfeitos, os sindicatos refreiam o optimismo, salientando que “os prazos ainda são longos e as incógnitas múltiplas, sobretudo no que diz respeito às repercussões no sector auxiliar, que tem uma forte necessidade de novas cargas de trabalho e de perspectivas sólidas”. E deixam a garantia de que vão “acompanhar atentamente a implementação do plano, para garantir o pleno envolvimento dos trabalhadores”.
Em comunicado, enviado às redacções nesta terça-feira, o CEO Antonio Filosa, que deverá apresentar um novo plano de negócios já nesta quinta-feira, declara que o objectivo passa por explorar a procura por “veículos pequenos e elegantes” fabricados na Europa para o mercado europeu, acrescentando que o E-Car estará disponível em “novos modelos para várias marcas”. E, dada a escolha da fábrica, onde foi comunicado que será adoptada a plataforma STLA Small a partir de 2028, é expectável que seja esta a arquitectura escalável escolhida para dar vida à nova categoria, algo que, a confirmar-se, permitirá controlar custos de produção.
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