Teerão continua a analisar proposta norte-americana, mas com “muita desconfiança”

0
1

O Irão ainda está a analisar o texto final de um possível acordo com os Estados Unidos e ainda não enviou qualquer resposta através dos mediadores, segundo a agência noticiosa iraniana Mehr.

No domingo, o New York Times noticiou que a Casa Branca enviou para Teerão algumas alterações à posição negocial norte-americana. Apesar de não se saber em concreto que alterações foram introduzidas, o que foi dito é que Trump quis endurecer a sua posição inicial.

A Mehr cita uma fonte familiarizada com as negociações, que diz que o Irão quer alcançar benefícios “reais e tangíveis” com o acordo, mas há um “historial de incumprimento por parte dos Estados Unidos” e uma “desconfiança acumulada ao longo do tempo” que levam Teerão a encarar esta questão “com grande rigor”.

Já na segunda-feira, este tinha sido o tom das declarações do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, que na sua conferência de imprensa semanal, em Teerão, culpou os EUA pela falta de avanço nas conversações.

“As negociações começaram num contexto de intensa suspeita e falta de confiança e a troca de mensagens também está a decorrer dentro desse enquadramento e nesse ambiente”, afirmou Baghei.

Em circunstâncias em que a outra parte altera constantemente as suas posições, apresenta novas exigências ou exigências contraditórias e transmite mensagens mediáticas diferentes e contraditórias, é natural que esta situação torne o processo negocial mais prolongado”, declarou, citado pela agência noticiosa IRNA.

Acusando Israel de ser “a maior ameaça à paz e à segurança internacionais”, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reiterou a posição do Irão de que um cessar-fogo no Líbano é “uma parte integrante de qualquer cessar-fogo e de qualquer acordo final para pôr termo à guerra”.

A alegada proposta de acordo entre as duas partes, à qual, no final da semana passada, apenas faltaria a aprovação de Donald Trump, mas que aparentemente motivou mudanças que continuam a ser discutidas em Teerão, deverá abordar questões como a reabertura do estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos e navios iranianos.

Prevê-se que possa permitir um novo cessar-fogo de 60 dias, que abrirá espaço para novas negociações sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a libertação de activos congelados.

A conferência de imprensa de ontem de Esmail Baghaei antecedeu o anúncio que saiu depois na Tasnim, outro meio noticioso iraniano ligado aos Guardas da Revolução, de que o país estava a abandonar o diálogo indirecto com os EUA devido à decisão israelita de atacar a capital libanesa.

O Presidente norte-americano foi depois para as redes sociais dizer que, graças a um telefonema com o primeiro-ministro de Israel, parou o ataque a Beirute, e também garantiu que as conversações com o Irão seguiam “a bom ritmo”.

Prontos para “todos os cenários”

Por outro lado, apesar de haver agora indicações de que o lado iraniano continua a estudar uma proposta de acordo, o poder militar iraniano continua a emitir ameaças contra os Estados Unidos.

O porta-voz dos Guardas da Revolução, Hossein Mohebisai, garantiu nesta terça-feira que as forças iranianas estão preparadas para “todos os cenários possíveis” e que, caso os EUA e Israel voltem a atacar o Irão, a natureza das operações, a geografia do campo de batalha e até as armas utilizadas serão “diferentes”.

Durante uma visita à Fars News Agency, o brigadeiro-general assegurou que o nível de prontidão das Forças Armadas iranianas é superior ao do passado: “Hoje, a nossa compreensão do inimigo, do seu equipamento ofensivo e defensivo, das suas tácticas de engano e dos seus métodos operacionais é muito mais clara do que anteriormente.”

O comandante dos Guardas da Revolução assegurou que, ao contrário das declarações do Presidente norte-americano e do primeiro-ministro israelita, nem as forças navais iranianas foram destruídas nem a capacidade operacional do país diminuiu, e deu como exemplo o facto de Washington não ter conseguido recuperar o controlo do estreito de Ormuz.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com