Tem 18 anos, soma prémio atrás de prémio e foi elogiada no Parlamento. Quem é Lua Afonso?

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Os dias da estudante Lua Afonso já eram uma correria – a jovem de 18 anos da Covilhã tem 20 a todos os exames e disciplinas, toca piano, é vencedora de concursos nacionais de leitura, é campeã de trail running e de patinagem artística e tem participado em vários concursos relacionados com o espaço. Mas, depois de ter sido mencionada num discurso do presidente da Assembleia da República, a sua vida ficou um verdadeiro turbilhão. “Já era e agora ainda ficou um pouquinho mais”, conta ao P3, animada.

Foi num discurso feito na sessão comemorativa da revolução do 25 de Abril que José Pedro Aguiar-Branco contou a história de Lua Afonso, criando um burburinho mediático em seu redor. Descreveu-a como “uma aluna brilhante” e falou sobre o seu percurso, “desde a serra da Estrela à descoberta do espaço”, e do desejo “de contribuir para a participação pública dos jovens”. E terminava dizendo: “O 25 de Abril é presente e futuro. Cumpre-se quando jovens como a Lua Afonso, que terá um futuro e uma carreira brilhante pela frente, encontram espaço para participar na política.”

Enquanto essas palavras eram proferidas, Lua Afonso estava em Ponte de Sor a participar numa competição do CanSat Portugal, em que tinha de criar um pequeno satélite. Não sabia do discurso e foi apanhada de surpresa. “Só sabia que o gabinete me tinha ligado a convidar para estar presente na cerimónia”, conta.

Para compensar a sua ausência na sessão solene, o presidente da Assembleia da República visitou esta semana a Escola Secundária Quinta das Palmeiras – onde Lua estuda (está no 12.º ano do curso de Ciências e Tecnologias). “Se a Lua não pôde ir à Assembleia da República, a Assembleia foi até à Lua”, escreveu Aguiar-Branco no Facebook a propósito da visita.

Na escola, fizeram uma cerimónia de celebração do 25 de Abril em que Lua declamou um poema da sua autoria sobre liberdade. Porque esta não é uma data qualquer. “É uma data central e determinou a forma como eu vivo a minha vida. Se não fosse o 25 de Abril, não conseguiria estar a fazer as coisas todas que eu faço, estar em muitas das áreas que estou”, diz Lua. Além disso, é uma “data importantíssima para a democracia”.

Quem é Lua Afonso?

Lua ainda só tem 18 anos, mas as distinções vão-se somando: venceu duas vezes o Concurso Nacional de Leitura em Voz Alta, venceu o Campeonato Nacional de Oratória e Eloquência “Voz – O Poder da Palavra”, é bicampeã nacional juvenil de trail running (corrida de montanha) e também foi por duas vezes campeã distrital de patinagem artística, que pratica desde os quatro anos de idade. Gosta de correr e sente que é essa disciplina que a ajuda a “conseguir fazer o resto”. Será também uma das alunas a representarem a Europa numa competição internacional na NASA, fez um voo em gravidade zero no projecto português Astronauta Por Um Dia e a sua equipa ganhou o prémio de Melhor Missão Científica no CanSat Portugal.

“Eu não sou uma mente brilhante ou uma aluna sobredotada”, faz questão de dizer. Sente que a fórmula para ser bem-sucedida em todas estas áreas assenta no esforço, na disciplina e na sua “base de apoio muito forte”. E não gosta de ser usada como termo de comparação para outros alunos. “Acho que isso é um erro gigante porque cada pessoa é como é e muita gente não tem ideia daquilo que está por trás disto tudo. E as circunstâncias são sempre diferentes para toda a gente.”

Com tantas actividades, como é que as consegue conciliar com o estudo e com a sua vida pessoal? “Nem sempre é fácil”, admite Lua Afonso. Tem o estudo esquematizado para conseguir ter tempo para tudo. “Há muito planeamento. No início do ano custa um pouquinho mais, mas depois é uma rotina. Os meus pais também ajudam muito”, refere a estudante. Para si, juntar várias áreas de interesse e saberes é essencial.

A leitura é outra das suas paixões. “Gosto muito de ler, de escrever e de declamar”, conta ao P3. É um gosto que vem de família: os pais e os avós sempre leram muito. “Mesmo as prendas que me davam, na maioria das vezes, eram livros”, diz. Não consegue nomear apenas um livro favorito, mas gosta sobretudo de romances. Com a panóplia de actividades que tem em mãos, não tem tido tanto tempo para ler quanto gostaria.

Apesar de sentir que também não tem muito tempo para estar nas redes sociais, sente que passa “mais tempo do que devia” em frente ao ecrã. É por isso que faz um “esforço activo” para que o seu tempo diante de ecrãs seja o menor possível. Lua também é fã de Taylor Swift, paixão que começou com a irmã, e toca piano desde o primeiro ano da primária. Outro dos seus passatempos é fazer colagens num scrapbook, um álbum de recortes. “Apesar de não ter muito jeito para as artes manuais”, brinca.

Quando era pequena, Lua queria ser cantora ou bailarina. “Não sei porquê porque eu nunca cantei muito bem nem dancei muito bem”, sorri. Agora, o seu destino profissional ainda é uma incógnita e a única certeza que tem é que não se imagina a “fazer só uma coisa”.

Será que o futuro passa por ser astronauta? Lua está a pensar seguir Engenharia Aeroespacial, mas ainda não tem “a certeza absoluta”, porque são muitas as áreas de que gosta. “Percebi que havia muitas carreiras relacionadas com o espaço e despertou-me a curiosidade”, diz ao P3. “Pode ser um caminho.”

Apesar das palavras lisonjeiras de Aguiar-Branco que incentivavam os jovens a encontrarem espaço na política, Lua admite que a política não está nos seus planos e que não é uma prioridade, apesar de gostar de intervenção social e de política. Talvez um dia. “Quem sabe?”

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