Todd Haynes é o grande homenageado do Curtas Vila do Conde 2026

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Começa a tomar forma a programação do Curtas Vila do Conde 2026. A decorrer de 17 a 26 de Julho, o 34.º Festival Internacional de Cinema de Vila do Conde irá dedicar um foco a uma das luminárias do cinema independente americano, Todd Haynes, na presença da sua produtora de sempre, Christine Vachon.

Numa edição cuja programação ficará fechada até ao fim de Junho, o Curtas trará ainda a Vila do Conde a artista multidisciplinar britânica Miranda Pennell e a cineasta norte-americana Bette Gordon. Estas novidades vêm juntar-se à retrospectiva integral do espanhol Guillermo Galoe, às presenças dos Mão Morta Redux e de Alabaster DePlume nos cine-concertos Stereo, e a programas dedicados ao veterano cineasta experimental John Smith e ao formato do “filme em episódios” (com a exibição, entre outros, de Boccaccio ’70, com vinhetas assinadas por Federico Fellini ou Luchino Visconti, e de Histórias de Nova Iorque, sob a batuta de Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen).

O ciclo dedicado a Todd Haynes, autor de filmes como Longe do Paraíso (2002) ou o meta-biopic de Bob Dylan I’m Not There — Não Estou Aí (2007) e uma das figuras mais respeitadas do cinema norte-americano pela sua capacidade de navegar entre a produção de estúdio e a produção autoral, incluirá um programa com as suas curtas-metragens e uma selecção de longas transversal à carreira do realizador, das quais a organização confirmou já três títulos: Safe — Seguro (1995), Velvet Goldmine (1999) e Carol (2015).

Na ausência do cineasta, o Curtas irá receber em seu lugar a fiel cúmplice Christine Vachon, produtora de todos os filmes de Haynes desde a sua longa-metragem de estreia, Veneno, em 1991. A Killer Films, que formou com Pamela Koffler, tem igualmente no currículo obras como Vidas Passadas, de Celine Song, Os Rapazes Não Choram, de Kimberly Peirce, Kids, de Larry Clark, No Coração da Escuridão, de Paul Schrader, ou Felicidade, de Todd Solondz.

Já a artista e investigadora Miranda Pennell, cujo trabalho explora “o poder da imaginação na interpretação dos documentos históricos” e que é conhecida pelo seu trabalho sobre os arquivos do império colonial britânico, montará na galeria Solar uma exposição inédita intitulada H Is for History N Is for Now. A par da instalação, a artista apresentará igualmente uma selecção de filmes em regime “carta branca” e a palestra-performance Gestures of Love and Violence, criada na sua versão original em 2013, e que Pennell define como uma “performance sobre fé, dúvida, poder e possessão no cinema e através do cinema”.

Bette Gordon, figura importante do cinema independente norte-americano da viragem da década 1970/1980, que esteve em Portugal em 2017 como júri do Leffest, virá acompanhar Empty Suitcases, pioneira média-metragem de 1980 em 16 milímetros sobre a representação da mulher e dos seus sonhos e desejos.

O festival anunciou igualmente dois cine-concertos originais no programa Stereo, com Bruno Miguel e Nuno Canavarro a musicarem a obra da pioneira do cinema experimental Germaine Dulac, e uma colaboração do baterista Gabriel Ferrandini com o cineasta portuense Luís Costa, co-fundador (com André Guiomar) da produtora Olhar de Ulisses.

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