A investigação criminal que estava a ser feita ao ainda presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) foi fechada, anunciou esta sexta-feira o Departamento de Justiça dos EUA, numa decisão que retira ainda mais credibilidade às suspeitas lançadas por Donald Trump sobre Jerome Powell ao longo do último ano, mas que até pode tornar mais fácil a entrada em funções, já a partir do próximo dia 15 de Maio, de um novo líder na autoridade monetária.
Foi há pouco mais de três meses que a Procuradoria-Geral do Distrito de Columbia – liderada por Jeanine Pirro, uma apoiante de longa data de Trump – lançou uma investigação criminal a Jerome Powell por causa de eventuais declarações falsas prestadas pelo presidente da Fed ao Congresso dos EUA sobre as obras de renovação da sede da autoridade monetária.
Mas esta sexta-feira, na sequência de uma série de derrotas em tribunal que tornavam a apresentação de qualquer acusação ainda mais difícil, o Departamento de Justiça assumiu a derrota e anunciou que deixou cair a investigação.
Os procuradores, numa tentativa de encontrar provas de que Powell tinha apresentado dados falsos ao Congresso sobre o custo total das obras a serem feitas na sede da Fed, solicitaram aos tribunais mandatos para obter provas tanto junto do banco central como do Congresso. O juiz a quem foi atribuído o caso, contudo, negou por duas vezes essa possibilidade, argumentando que a investigação não dispunha de qualquer indício de declarações falsas e acusando os procuradores de “pressionarem Powell ou a ceder ao presidente ou a demitir-se para abrir caminho para um presidente da Fed que o faça”. Desde que regressou à Casa Branca, Donald Trump tem criticado publicamente e de forma cada vez mais agressiva o actual presidente da Fed, acusando-o de manter as taxas de juro demasiado altas e ameaçando por diversas vezes demiti-lo.
Sem estes mandatos judiciais, a investigação lançada pelo Departamento de Justiça ficou ainda mais esvaziada, tornando praticamente inevitável que acabasse por ser dada como concluída sem qualquer acusação.
O facto de esta declaração de derrota ter sido feita agora pode ter contudo outra explicação. De facto, a investigação em curso estava a representar um obstáculo para que Kevin M. Warsh, o escolhido por Donald Trump para substituir Jerome Powell à frente da Reserva Federal, assumisse rapidamente o seu cargo.
Powell termina o seu mandato como presidente no próximo dia 15 de Maio, mas neste momento, o processo de aprovação pelo Congresso do nome do seu substituto estava num impasse, uma vez que vários senadores republicanos, liderados por Thom Tillis da Carolina do Norte, afirmaram que não votariam a favor de Warsh até que a investigação contra Jerome Powell fosse dada como concluída.
O anúncio feito esta sexta-feira pelo Departamento de Justiça pode acabar assim por abrir a porta a um processo mais célere de aprovação do nome do novo presidente da Fed.
Kevin M. Warsh tem assumido, como economista, posições favoráveis a uma redução mais acentuada das taxas de juro do que aquela que a Fed liderada por Jerome Powell tem vindo a fazer. O possível futuro presidente da autoridade monetária norte-americana garantiu, contudo, na sua audição no Congresso, que, caso venha a ocupar o cargo, irá garantir que a Fed se mantém independente face ao presidente.
A Fed, à semelhança do que acontece com o Banco Central Europeu (BCE), toma as suas decisões de forma colegial e no comité que decide as taxas de juro, a maioria dos seus membros ainda é, apesar das recentes nomeações feitas por Donald Trump, defensor da política mais prudente que tem vindo a ser seguida nos últimos anos.
Neste momento, o banco central dos EUA enfrenta um cenário em que se teme que a taxa de inflação, que tem vindo a recuar a passo lento ao longo do último ano, possa voltar a subir de forma acentuada devido ao impacto sobre os preços da energia que a guerra iniciada por Donald Trump no Irão já está a ter.
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