Ucrânia sugeriu chamar “Donnyland” a território no Donbass para captar interesse de Trump

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Ainda antes de ter regressado à Casa Branca, no início do ano passado, Donald Trump prometia acabar com a guerra na Ucrânia em apenas 24 horas. A complexidade do conflito e a incapacidade dos Estados Unidos em convencer o Kremlin a parar os ataques ou a abrir mão do território que a Rússia anexou no Leste do seu vizinho fizeram com que a promessa irrealista do Presidente norte-americano tenha ficado por cumprir. Mais: levaram-no a perder o interesse no assunto.

Conscientes da personalidade singular de Trump e numa tentativa de o convencer a voltar a olhar para os méritos da posição de Kiev sobre a guerra, os responsáveis ucranianos envolvidos nas negociações de paz com os EUA sugeriram chamar “Donnyland” a um território do oblast de Donetsk, no Donbass, que poderia servir como zona desmilitarizada ou zona de livre comércio, num cenário pós-conflito.

Inicialmente proposta por um negociador ucraniano em jeito de brincadeira, a designação em causa, que remete para o primeiro nome do Presidente dos EUA (Donald), tem sido usada várias vezes nas conversas com responsáveis norte-americanos, disseram ao New York Times quatro fontes com conhecimento sobre as negociações, sob condição de anonimato.

“O facto de um nome que evoca a Disneylândia ter sido atribuído a uma zona deserta e devastada da região de carvão e de aço da Ucrânia pode parecer chocante, numa altura em estão a ser travados os combates mais mortíferos na Europa desde a II Guerra Mundial. Mas é um reflexo de uma realidade global em que os governos apelam à vaidade de Trump para conseguirem o apoio do poderio americano”, escrevem os jornalistas Anton Troianovski e Andrew E. Kramer, que assinam a notícia do diário nova-iorquino.

Não são, ainda assim, conhecidos muitos pormenores sobre a proposta para a “Donnyland”, que envolve uma área com cerca de 5,2 quilómetros quadrados, próxima da linha da frente, e que, de acordo com as autoridades ucranianas, tem perto de 190 mil habitantes.

Citando fontes, o New York Times diz que uma das hipóteses em cima da mesa passaria pela participação do Conselho da Paz – a organização internacional, liderada por Trump, que pretende concorrer com a ONU, mas à qual nem a Ucrânia nem a Rússia aderiram – na administração dessa zona desmilitarizada.

Impasse

Particularmente desde que o Presidente dos Estados Unidos recebeu Vladimir Putin, seu homólogo russo, no Alasca, no Verão do ano passado, que a Administração Trump tem mostrado abertura e apoio a um cenário em que a Ucrânia cede território soberano à Rússia, em troca pelo fim das hostilidades.

Descrevendo essa possibilidade como uma “capitulação” em toda a linha e uma cedência às reivindicações do Kremlin, Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia, e os seus aliados europeus, recusam a ideia de que se deva premiar a Rússia pela invasão e legitimar internacionalmente a tomada de território pela força.

Para além disso, as Forças Armadas russas nem sequer controlam militarmente a totalidade dos cerca de 20% do território ucraniano que reivindicam para si, havendo partes do Donbass que em que o Exército da Ucrânia tem “as sua melhores fortalezas defensivas”, segundo Zelensky. “Se retirarmos os nossos soldados, os russos terão total liberdade de acção em direcção ao centro do país”, alertava o chefe de Estado ucraniano no mês passado, citado pelo Kyiv Independent.

A abertura para considerar o estabelecimento de uma zona desmilitarizada no Donbass foi, ainda assim, admitida por Kiev, no final do ano passado, quando Zelensky apresentou um plano de paz assente em 20 pontos, elaborado em conjunto com os EUA.

O Governo ucraniano propôs, no entanto, que esse território fosse administrado por uma autoridade neutral, que incluiria representantes russos e ucranianos, e a garantia de que a Rússia não reivindicaria, no futuro, a sua soberania sobre o mesmo. O Kremlin respondeu dizendo que só aceitaria uma zona desmilitarizada se esta pudesse ser patrulhada por polícias e soldados russos, exigência considerada inaceitável pela Ucrânia.

Depois de a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia ter entrado no seu quinto ano em Fevereiro a sensação de impasse no processo negocial tripartido (Ucrânia, Rússia e EUA) ou bilateral (Ucrânia e EUA) intensificou-se particularmente nas últimas semanas, já que os principais negociadores norte-americanos, como Steve Witkoff, enviado especial de Trump, ou Jared Kushner, genro do Presidente, têm estado focados na resolução da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão.

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