“Um milhão de assinaturas”: a publicidade consta de uma automotora da CP estacionada em Santa Apolónia, Lisboa, e que se encontrava atrás de Miguel Pinto Luz quando o ministro das Infra-estruturas e Habitação (e com o pelouro dos Transportes, que, porém, não está no título da pasta) falou aos jornalistas para festejar o “sucesso absolutamente único” do passe ferroviário verde, ao superar a fasquia de um milhão de passes vendidos. E foi aí que aproveitou para dizer que está a ser preparado um passe intermodal – para vários modos de transportes – a nível nacional.
“Ainda na semana passada reunimos as grandes empresas de transportes do sector público e sinalizámos a vontade de apresentarmos um passe que tenha carácter nacional. Estamos a trabalhar para, nos próximos meses, poder apresentar uma solução de passe intermodal à escala nacional”, declarou Miguel Pinto Luz, na estação ferroviária de Santa Apolónia, aos jornalistas, falando numa “novidade” que quis deixar para “convidar ainda mais portugueses a andar de transportes públicos”.
Não foram dados mais pormenores, mas a intenção é que haja pormenores nos próximos meses, segundo disse o governante, em declarações transmitidas pela RTP Notícias. Neste momento, há passes intermodais, como o Navegante, da Área Metropolitana de Lisboa, ou o Andante, na Área Metropolitana do Porto, mas são regionais, e não qualquer âmbito nacional.
Outra das novidades que Miguel Pinto Luz quis deixar aos jornalistas foi a inclusão do passe ferroviário na bolsa de documentos digitais do Governo (gov.pt) a partir de Maio. Aliás, o lado digital deste passe foi mencionado pelo ministro, ao lado da secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, ao referir que 84% das reservas de comboios pelos detentores de passe ferroviário são feitas por via digital.
“Capacidade está no limite”
Foram declarações do ministro para celebrar a fasquia de um milhão de assinaturas de passes ferroviários verdes já feitas em Portugal desde o seu lançamento, em Outubro de 2024. Isto não significa que haja um milhão de pessoas a utilizar o passe que custa 20 euros por 30 dias: em Março, havia “perto de 70 mil passes mensais activos”. “O número de adesões representa mais de 20 milhões de euros de receita para a CP – Comboios de Portugal”, segundo o comunicado governamental, ainda que as contas possam ser mais complicadas, tendo em conta que não é possível saber a dimensão dos bilhetes vendidos caso não houvesse este passe.
Esta solução de mobilidade, que teve origem numa proposta do Livre que depois foi aproveitada pelo Governo PSD/CDS, “já contabilizou 3,8 milhões de reservas nos comboios intercidades”, de acordo com o comunicado que a CP emitiu sobre o assunto.
“É absolutamente único o sucesso desta medida”, declarou Pinto Luz aos jornalistas, falando numa “grande procura”. “A capacidade está no limite”, admitiu. O número de passageiros da CP bateu recordes em 2025, e há frota parada. Este passe serve para intercidades e regionais (mas não para suburbanos que sejam cobertos por passes intermodais, como Lisboa ou Porto), nem no alfa pendular.
Tendo em conta os problemas de oferta da CP, em que muitos comboios ficam esgotados sem conseguir assegurar lugar a todos os passageiros que o pretendem, já houve até mudanças nas regras de reservas digitais (tem de ser efectuada dentro das 24 horas anteriores à viagem, contando da saída do comboio na origem, e não da estação de embarque, ao contrário do que aconteceu nos primeiros tempos do passe, que fazia com que os passageiros comprassem bilhete desde a origem, mas só embarcassem mais tarde, deixando muitos lugares vazios em alguns troços, mas sem possibilidade de serem vendidos).
Apesar do assumido problema de capacidade, o ministro apontou para a compra de comboios como a solução, que demora tempo e não traz alívio no imediato: “O Governo tomou a decisão histórica de adquirir 185 comboios, o maior investimento de sempre. Até 2030, não teremos um único ano sem receber novos comboios”.
A CP, através do presidente da administração, Pedro Moreira, diz que continuará a investir “na melhoria da experiência digital e na qualidade da oferta, colocando o comboio no centro das escolhas de mobilidade dos portugueses”, segundo o comunicado emitido.
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