Membros da rede de geoparques da UNESCO estabeleceram esta sexta-feira, em Arouca, um prazo de 10 anos para a criação do primeiro parque de interesse geológico mundial num país africano ou asiático da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A decisão foi tomada no I Fórum de Geoparques da UNESCO na CPLP, evento que decorre até ao final deste sábado no concelho de Arouca, no distrito de Aveiro. A iniciativa reúne cerca de 120 participantes de vários países e oradores ligados a 13 geoparques de Portugal e Brasil.
Portugal e Brasil sãos os únicos países lusófonos onde há actualmente territórios classificados como de importância geológica mundial e é essa situação que a rede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) quer alterar, justificando a ambição de mais geoparques com o potencial natural e turístico das geografias em causa.
“A possibilidade de, dentro de uma década, existirem novos geoparques da UNESCO em países africanos da CPLP e em Timor-Leste foi apontada como uma ambição colectiva e um sinal do fortalecimento desta rede de cooperação”, afirmou à Lusa a presidente da Associação Geoparque de Arouca, Margarida Belém, que também é presidente da autarquia.
Cinco grandes objectivos
Os participantes do evento assinaram um compromisso destinado a reforçar o apoio às candidaturas de territórios que desejem ser classificados como geoparques e o documento estabelece cinco grandes objectivos para os próximos anos: o reforço da cooperação técnica e científica entre países, a criação de programas de mentoria e capacitação para apoio às candidaturas, o envolvimento mais activo das universidades e comunidades locais nesses processos e, por fim, a construção de plataformas de partilha de boas práticas — sempre com vista ao “aumento do número de geoparques nos países lusófonos”.
Quanto ao debate entre técnicos e especialistas de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, fonte da organização do Fórum indica que todos admitiram “desafios comuns que persistem nos processos de criação e consolidação de geoparques”, mas reconheceram também “o enorme potencial geológico, paisagístico e cultural” dos países lusófonos de África e Ásia.
A organização do evento deu exemplos, começando por citar Victor Vicente, de Timor-Leste, que salientou a presença no seu país de “importantes registos fósseis e áreas onde coexistem património geológico, biodiversidade e património cultural”.
Shellita Viega, de São Tomé e Príncipe, por sua vez, realçou “o carácter singular das ilhas vulcânicas” são-tomenses e a “forte presença de espécies endémicas” nesse território, o que confere “elevado potencial turístico e científico a um futuro geoparque”.
Já Hamilton Fernandes, de Cabo Verde, referiu a “necessidade de reforçar a integração das comunidades, universidades e decisores políticos na valorização do património geológico”, com o que concordou Dinis Quicassa, de Angola, embora apelando também à “criação de redes de cooperação multidisciplinar para apoiar futuros processos de candidatura”.
Nesse esforço partilhado, Léon Eyang, da Guiné Equatorial, recomendou ainda “a realização de inventários geológicos e a formação de quadros técnicos especializados”, assim como “uma cooperação mais próxima” entre os países da CPLP com pretensões idênticas junto da UNESCO.
Também citada pela organização, Teresa Ferreira, do Turismo de Portugal, disse que “os ministros do Turismo da CPLP têm vindo a reconhecer a relevância da criação de uma rede de geoparques lusófonos” e valorizou o contributo desses territórios na diversificação da oferta turística – especialmente em territórios de baixa densidade, onde os geoparques permitem “modelos de desenvolvimento mais equilibrados ao longo de todo o ano”.
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