Von der Leyen quer ver a Europa a “liderar o mundo” na electrificação

0
2

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, voltou a apontar para a dependência de combustíveis fósseis importados como uma grande “vulnerabilidade” da União Europeia, e a defender o “investimento em energia limpa, acessível e produzida internamente” como a solução para resistir a crises como aquela que o conflito no Médio Oriente está a provocar em todo o globo.

Num discurso no Parlamento Europeu de Estrasburgo, esta quarta-feira, a líder do executivo comunitário lembrou que “as consequências” da guerra no Irão no abastecimento e nos preços da energia “podem repercutir-se durante meses e mesmo anos”, e defendeu que a UE aproveite a oportunidade para “mudar para a electricidade, não só nos transportes mas também na indústria e no aquecimento”.

“Este é o momento de electrificar a Europa. Não se trata apenas de uma questão de acessibilidade e competitividade, mas também de segurança económica”, sublinhou Von der Leyen, que quer ver o bloco a “liderar o mundo na electrificação”. Porém, actualmente a electricidade ainda representa “menos de um quarto do consumo final de energia na Europa”, menos do que nos Estados Unidos da América e da China.

A Comissão Europeia avançou um pacote para as redes energéticas, destinado ao melhoramento da infra-estrutura, no final de 2025, e prevê apresentar um Plano de Acção para a Electrificação até ao Verão, com “metas ambiciosas”. Em Estrasburgo, Von der Leyen disse que cabe agora aos Estados-membros acelerar na transição energética. “No actual orçamento europeu, reservámos quase 300 mil milhões de euros para a energia, e ainda temos disponíveis 95 mil milhões de euros”, avisou.

Na sua breve aparição no debate em plenário, esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia apresentou alguns números para justificar a urgência da descarbonização. “Em apenas 60 dias de conflito, a nossa factura de importação de combustíveis fósseis aumentou em mais de 27 mil milhões de euros, sem uma única molécula de energia adicional. Estamos a perder quase 500 milhões de euros por dia”, observou.

Os Estados-membros que estão a sofrer menos com a alta dos preços resultante da guerra são os que avançaram mais rápido na transição e têm mais fontes de baixo carbono no seu cabaz energético. “Na Suécia, quando o preço do gás aumenta um euro por MWh, a factura da electricidade só aumenta 0,04 euros por MWh, porque quase toda a electricidade da Suécia provém de energias renováveis e da energia nuclear”, destacou a presidente da Comissão.

Uma semana depois de apresentar uma lista de recomendações e sugestões de medidas que “podem ser combinadas de forma diferente” pelos Estados-membros, para responder à crise e apoiar as empresas e as famílias a enfrentar a subida de preços da energia, a presidente da Comissão insistiu que as ajudas devem ser temporárias e direccionadas aos consumidores mais vulneráveis.

Segundo Von der Leyen, “apenas um quarto do apoio de emergência” concedido na crise de 2022 foi direccionado à protecção dos mais necessitados. “Mais de 350 mil milhões de euros foram gastos em medidas não direccionadas, o que teve um enorme impacto nas finanças dos Estados-Membros. Não podemos voltar a cometer o mesmo erro”, disse.

Na comunicação da Comissão, o foco vai para a coordenação entre os Estados-membros no preenchimento das reservas nacionais de gás e combustíveis, particularmente gasóleo e jet fuel. E também na libertação das reservas de petróleo, para garantir que as refinariam podem aumentar a produção.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com