Vozinha queixava-se aos avós. Agora, quem se queixa é a Espanha

0
1

Aos 40 anos, Vozinha ainda duvidou se seria uma boa ideia, com a sua idade, alinhar pela selecção de Cabo Verde. Mas, como disse em conferência de imprensa após o jogo da estreia, era uma oportunidade de fazer história. Só não imaginava de como inscreveria o seu nome nos anais dos Mundiais de futebol.

O cabo-verdiano, que, na última época, alinhou pelo Desportivo de Chaves, no segundo escalão do futebol português, transformou-se numa muralha inabalável, não defendendo um remate, mas todos os que Espanha conseguiu apontar à sua baliza — e foram sete, num jogo que se disputou, sobretudo, na grande área dos “tubarões azuis”.

“Tenho 40 anos, como todos sabem, comecei a jogar como profissional com 25 anos, em 2012, já muito tarde. Pensei em largar a selecção [de Cabo Verde], mas depois continuei por causa desse sonho.” E, em conferência de imprensa após o encontro, assumiu, sem esconder a emoção: “Trabalhei a minha vida toda para esse momento, por essa montra”.

Vozinha diz que chorou após o apito final por causa das saudades dos avós, que já morreram, e pela ausência da mãe, que não obteve o visto
Brett Davis/IMAGN IMAGES via Reuters

Foi também a emoção que fez com que chorasse após o apito final, pelas saudades dos avós e pela falta da mãe. “Chorei porque fui criado com os meus avós e, infelizmente, já não estão cá; morreram há uns anos. Eles fizeram tudo por mim. E também porque a minha mãe não pôde cá estar por causa do dinheiro que tínhamos de pagar pelo visto, e não o conseguimos a tempo.”

E as redes sociais renderam-se à sua postura: antes do apito final, somava pouco mais de 50 mil seguidores no Instagram; nesta altura, regista mais de dois milhões de fãs. Vozinha gostou, agradeceu, mas não se mostrou inebriado pela fama: “As redes sociais são uma coisa muito boa, mas… vamos continuar a trabalhar para conseguir [manter] todo esse apoio”.

Sobre o jogo, o guarda-redes destacou que a boa exibição “é de todos”. Afinal, explicou, “sou o homem do jogo, mas esse prémio é para todos os meus colegas, porque sem eles nada disso era possível”. E, sem deixar de lembrar que vêm de “um país pequeno, com poucas condições”, declarou: “A nossa maior arma é a nossa união.”

Vozinha, alcunha que se lhe colou, ainda em criança, por ameaçar “fazer queixas aos avós” quando não gostava de como os outros rapazes o tratavam, chama-se Josimar Dias, nome que vem do mundo do futebol. O pai queria registá-lo como Valdano, o argentino que vingou no Real Madrid, mas o nome não foi aceite, tendo de contentar-se com uma homenagem ao ex-lateral direito do Botafogo e da selecção brasileira que se apresentou ao México em 1986. Afinal, Vozinha nasceu no dia 3 de Junho de 1986 e, na véspera, o Brasil tinha vencido a Bolívia.

Talvez já fosse uma espécie de sinal. Certo é que Josimar cresceu com a bola nos pés. E, quando chegou a Angola, em 2012, para jogar no Progresso, onde havia um guarda-redes de nome Josimar, adoptou a alcunha de que antes não gostava. “Se todo o mundo me conhecia como Vozinha em Cabo Verde, é isso que ia ficar”, recordou numa entrevista com a FIFA.

Seguiu-se uma passagem pela Roménia, tendo sido contratado em 2015, pelo FC Zimbru. Até que há dez anos rumou a Portugal, onde alinhou pelo Gil Vicente. Desde então, passou por Chipre (AEL Limassol) e pela Eslováquia (AS Trencin), tendo, na última época, assumido a camisola do Desp. Chaves, clube do qual se despediu antes de ir para os EUA.

Resta agora saber como o frenesim do primeiro jogo de Cabo Verde no Mundial de futebol vai influenciar o futuro da sua carreira. Para já, pelo menos, é certo que o seu nome já se tornou viral.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com