Abençoadas ilhas
Nos Açores, não há ilha que escape ao alcance das Festas do Divino Espírito Santo. Vão da Páscoa ao Pentecostes (que, este ano, calha a 26 de Maio) e, embora profundamente enraizadas na religião, extravasam-na na forma como evidenciam a identidade açoriana, o espírito solidário e a força da comunidade. Com raízes no século XIII e nas preocupações sociais da rainha Santa Isabel, envolvem a coroação dos pobres e a distribuição de alimentos (sopas em particular).
É uma liturgia carregada de simbolismo, a começar pela pomba branca que representa o espírito santo nos estandartes. Coroa, ceptro e bandeira visitam as casas dos fiéis das freguesias, cada uma com o seu império. Estes pequenos templos (às dezenas) são guardiões dos símbolos e centros nevrálgicos de comemorações que podem ir de refeições partilhadas até actuações musicais.
Os visitantes são bem-vindos não só para testemunhar, mas também para participar, desde que respeitada a reverência à tradição. É um excelente pretexto para percorrer o arquipélago e descobrir, de caminho, a beleza com que a sua natureza foi abençoada.
Do rosário à rainha
Vila Franca — a do Lima, em Viana do Castelo — floresce na fé em Nossa Senhora do Rosário e enfeita-se com a Festa das Rosas, de 8 a 11 de Maio, um ritual que tem raízes seculares (tem mais de 400 anos) e que entretanto foi inscrito no inventário do Património Cultural e Imaterial Nacional (classificação formalizada em 2021).
Os cestos floridos, que são confeccionados com milhares de pétalas de flores e transportados à cabeça pelas mordomas no Tradicional Cortejo das Rosas Votivas (sábado, às 16h30), dão a cor e o perfume principal à romaria. Às várias manifestações religiosas do programa — como a Majestosa Procissão de domingo, às 16h — juntam-se animações musicais, artesanato, uma feira de diversões, desfiles de bombos, zés-pereira e carros alegóricos, e uma “imponente sessão de fogo-de-artifício” (sábado, à meia-noite), seguida do humor de João Dantas, entre outras atracções.
A festa termina nesta segunda-feira, mas ainda dá mais um ar da sua graça a 18 de Maio, com a entrada em cena das crianças da terra como protagonistas de um cortejo de cestos e andores à sua medida.
A emblemática romaria abre alas a outras festividades religiosas minhotas, numa rota em que é a Senhora d’Agonia quem mais reina, atraindo milhares ao coração bem trajado e ornamentado de Viana do Castelo. Está em preparação para 15 a 23 de Agosto, já com o programa alinhavado.
Tapetes de pétalas estendidos
Também Monção se decora com cores, mas de tapetes estendidos à devoção. Neste fim-de-semana (9 e 10 de Maio), há Festa de Nossa Senhora da Rosa a embelezar o centro histórico da vila raiana. Numa manifestação da criatividade local e do espírito comunitário, os tapetes são preparados por voluntários durante a noite de sábado.
No domingo, “as ruas ‘acordam’ enfeitadas com pétalas, funcho, borras de café e serrim de várias cores, com criativos desenhos geométricos e diversos motivos religiosos”, descreve a autarquia. Apreciada a arte efémera, há missa na Igreja Matriz (às 16h30), “seguida da bênção, distribuição de rosas e procissão”, elenca o programa das festas.
Câmara Municipal de Monção
Com Cid em ascensão
Nascida para celebrar a subida de Jesus aos céus e erguida em torno de uma quinta-feira também conhecida como “dia da espiga” (a prosperidade é sempre bem-vinda, venha da Bíblia ou de um gesto com origem pagã), a Semana da Ascensão transcende a religião e transforma a Chamusca “num grande palco de cultura, tradição e identidade” que faz da vila um “epicentro de vivências ribatejanas”, explica a nota da Câmara Municipal. Está em marcha de 9 a 17 de Maio.
Entre missas e bênçãos, ranchos, cantares e campinos, dá-se a tradicional Entrada de Toiros e faz-se a apanha da espiga. Mas a atracção principal está na música ao vivo, este ano entregue a Luís Represas, Jorge Fernando com a Banda da Carregueira, Quim Barreiros, Buba Espinho, Bárbara Bandeira, Raquel Tavares, Némanus, o talento local Rui Tanoeiro e o mais famoso dos chamusquenses, José Cid.
Grândola, vila “santinha”
Em terra de cantares revolucionários, também a veia devota tem a sua expressão. De 1 a 30 de Maio, mês mariano por excelência e aparições, Grândola faz festas em honra de Nossa Senhora da Penha — a “santinha” alojada na singela ermida que ilumina o montado em branco e azul — e aproveita para abraçar outros marcos do calendário religioso, como o Pentecostes ou a Ascensão.
O programa está recheado de missas, procissões (seja a de Nossa Senhora de Fátima, a das rosas, a das velas, uma em cortejo automóvel rumo à Igreja Matriz ou outras com acompanhamento da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense), recitações do terço e visitas da imagem da santa às aldeias, mas também há actuações musicais, caminhadas, fogo-de-artifício e outras actividades a alumiar caminho.
Mártir, bonecos e louça
Reza a lenda que o próprio Nicodemos terá esculpido, depois de testemunhar a dor de Cristo, a imagem de Jesus crucificado que deu à costa em Matosinhos, diz-se que no ano de 124. Não será tão antiga (datará do século XII ou XIII), mas continua a alimentar a festa dedicada ao Bom Jesus de Bouças, entretanto rebaptizado Senhor de Matosinhos.
Não sendo o padroeiro dos pescadores (honra seja feita a São Pedro em geral e a São Sebastião na devoção local), é ele quem abençoa a faina que, por estes dias, fornece a sardinha àquela que é uma das mais antigas e concorridas romarias do Norte. A próxima edição arranca a 15 de Maio e prolonga-se até 7 de Junho, com pergaminhos de “tradição, fé e animação”, com a ambição de receber cerca de dois milhões de visitantes e com o palmarés abrilhantado pela conquista do Prémio Cinco Estrelas Regiões 2025 na categoria Festas, Feiras e Romarias.
Procissões e eucaristias convivem com concertos de Expensive Soul e Miguel Araújo nos jardins da Biblioteca Municipal Florbela Espanca (respectivamente, a 16 e 22 de Maio, ambos às 22h), o espectáculo ímpar que é o fogo dos bonecos no Parque 25 de Abril (dia 26, às 19h), a tradicional Feira da Louça, exposições, música, divulgação dos “receituários gastronómicos de peixes e de mariscos” (sublinhado da autarquia em nome da marca World’s Best Fish com que Matosinhos se tem afirmado) e outras animações.
Tão populares como a sua fé
Não há santos que arrastem tanta multidão como Santo António e São João. O primeiro dá o tom às festas de Lisboa, concentradas na véspera de 13 de Junho mas a todo o mês prolongadas, com as suas marchas bairristas, os seus manjericos poéticos, os casamentos abençoados e, por todo o lado, o cheiro a sardinha assada.
É aroma que se sente também no Porto, na noite longa que antecede o 24 de Junho, numa festa rija em arraiais, bailes, fogo-de-artifício sobre o Douro e o calor de um povo que acena com martelinhos, alho-porro e balões. São as maiores das muitas festas juninas que escorrem por todo o país, sinalizando um Verão — e um querido mês de Agosto em especial — que faz de cada paróquia um ponto de encontro festivo.
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