Muito antes de ser possível fazer questionar um chatbot de inteligência artificial e obter respostas verborreicas e detalhadas extraídas de dezenas de fontes, um mordomo calvo, de fato e gravata vermelha dispunha-se a responder às perguntas da Internet. Não era muito bom, como nada era muito bom naqueles tempos do mundo digital.
O Ask Jeeves surgiu em 1996, nos primórdios da World Wide Web (dois anos depois da Amazon, dois anos antes do Google). Jeeves acabou por desaparecer e o site transformou-se no Ask.com, que, ao longo de uma história de pouco sucesso, oscilou entre ser um motor de busca convencional e um site para responder a perguntas – mas nunca conseguiu acompanhar a concorrência.
Na sexta-feira passada, a dois meses de fazer 30 anos, o site fechou definitivamente as portas e abriu um torrente de nostalgia para alguns utilizadores de Internet que estão hoje pelo menos na meia idade.
“Estamos profundamente agradecidos aos brilhantes engenheiros, designers e equipas que construíram e deram suporte o Ask ao longo das décadas. E a vocês – os milhões de utilizadores que vieram até nos para respostas num mundo em rápida mudança – obrigado pela vossa curiosidade sem fim, pela lealdade e confiança”, diz uma mensagem de despedida no Ask.com.
O site foi criado por dois empreendedores da Califórnia, Garrett Gruener and David Warthen. Inicialmente tinha o endereço askjeeves.com.
Jeeves era inspirado numa personagem criada no início do século passado pelo autor britânico P. G. Wodehouse. Já tinha porém, desaparecido há algum tempo do site: em 2006, o Ask.com decidiu tornar-se um motor de busca semelhante ao Google, que estava então estabelecido como a ferramenta dominante para encontrar informação na Internet. A estratégia não foi bem-sucedida e o Ask.com voltou alguns anos mais tarde a ser um site vocacionado para os utilizadores podiam fazer perguntas em linguagem natural.
Pelo meio, em 2009, a figura do mordomo foi recuperada e colocada apenas na versão britânica do site. A empresa explicou então que os utilizadores britânicos tinham uma afinidade com a personagem que não existia noutros países.
Nos tempos em que se usavam sem ironia expressões como “a auto-estrada da informação”, a ideia de um mordomo virtual a procurar conteúdo e dar respostas online não parecia descabida. “O espírito de Jeeves perdura”, lê-se na página de despedida. O mesmo não se pode dizer do site. A maioria das páginas, incluindo a página com a história do Ask.com, deixaram de estar acessíveis.
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