Ameaça terrorista: Luís Neves diz que “houve uma falha” ao não avisar o gabinete do primeiro-ministro

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O ministro da Administração Interna, Luís Neves — que era director-nacional da Polícia Judiciária quando os seis elementos do grupo Movimento Armilar Lusitano foram detidos, em Junho do ano passado — admite que “houve uma falha” por parte das autoridades ao não avisarem o gabinete do primeiro-ministro quando se soube que aquele grupo admitia fazer um ataque com uma granada ao apartamento da família de Luís Montenegro em Lisboa.

“A comunicação poderia e deveria ter sido diferente porque, em matérias de Estado, não faz sentido as pessoas serem informadas através da comunicação social”, disse este sábado em declarações à RTP, à margem da sua participação no congresso do PSD que decorre este fim-de-semana na Anadia e onde Luís Neves foi convidado a discursar, embora não seja militante do PSD.

Segundo Luís Neves, quando a operação Desarme 3D foi levada a cabo pela Polícia Judiciária, “aquilo que eram ameaças que eram latentes naquele momento foram transmitidas a quem tinham de ser transmitidas”.

Contudo, o responsável admite que na parte final da investigação “houve outros elementos que vieram [ao conhecimento das autoridades] por força das perícias informáticas” levadas a cabo ao vasto material apreendido, em que se incluíam computadores e telemóveis e a partir dos quais foi possível ter acesso a conversas encriptadas em plataformas como o Signal, o Telegram e o WhatsApp que, de acordo com a acusação do Ministério Público, eram usadas pelo grupo terrorista para comunicar entre si e prepararem os seus planos de ataque. Um dos cabecilhas do grupo era chefe da PSP que estava ao serviço da Polícia Municipal de Lisboa e que por essa razão teria acesso a informação privilegiada.

O agora ministro da Administração Interna admite que, a partir do momento em que as autoridades tiveram acesso a uma “lista de indesejáveis”, que incluía mais de 150 personalidades entre políticos, jornalistas, comentadores e activistas e em que se soube que os suspeitos ponderavam um ataque com granada à casa do primeiro-ministro, além de uma invasão do Parlamento, o assunto deveria ter sido tratado “de outra forma”.

“De facto, a comunicação poderia e deveria ter sido diferente, porque em matérias de Estado não faz sentido as pessoas serem informadas através da comunicação social. Há uma falha de comunicação”, disse o ministro à RTP, garantindo que “sempre que houve ameaças latentes, essas comunicações existiram”. Não se sabe até ao momento se o Corpo de Segurança Pessoal da PSP, que é responsável pela segurança do primeiro-ministro, tinha sido informado desta ameaça.

Questionado sobre se tomou alguma iniciativa após ter sido tornado pública esta situação, Luís Neves lembrou que, neste momento, já não tem a tutela da investigação criminal e considerou que a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, “fez o que tinha a fazer“. Na sexta-feira, a ministra da Justiça disse que já falou com os responsáveis do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sobre o facto de o primeiro-ministro não sido informado das ameaças deste grupo de extrema-direita, o que o deixou manifestamente incomodado.

“Acho que todos nós faremos uma reflexão, a começar por quem tem responsabilidade na matéria, faremos todos uma reflexão para que esse tipo de situações, quando for necessário comunicar, sejam comunicadas. (…) Já conversámos com as entidades envolvidas, é natural que essas conversas aconteçam”, afirmou Rita Alarcão Júdice.

Luís Neves quis, contudo, saudar a importância do trabalho da investigação criminal. “O que eu quero dizer é que há uma estrutura criminosa terrorista, que foi desmantelada, isso é muito relevante e é evidente que a comunicação poderia e deveria ter sido de outra forma”.

A 17 de Junho de 2025, numa operação intitulada Desarme 3D, a Polícia Judiciária deteve seis pessoas ligadas ao grupo de extrema-direita e neonazi MAL, que era descrito como se fosse uma milícia armada e suspeito de actividades terroristas, discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Esta semana, o Ministério Público acusou nove membros do MAL de terrorismo, sendo que o núcleo duro deste grupo era constituído por cinco elementos.

Na operação da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ foram apreendidos explosivos, armas brancas e armas de fogo. Foram ainda encontradas armas desenhadas em impressoras 3D com capacidade para disparar, algo inédito em Portugal, segundo afirmou então a directora da UNCT, Manuela Santos. Foram apreendidas quatro impressoras e material estimado em milhares de euros.

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