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Com apenas cinco anos de idade, a hoje psicóloga Danielle Tavares começou a fazer biodanza (ou biodança) para vencer a timidez. Mais tarde, aos 15, para enfrentar os desafios da adolescência, voltou a praticar as aulas de desenvolvimento humano criadas pelo psicólogo, antropólogo e professor chileno Rolando Toro Araneda, entre 1968 e 1973.
Com o tempo e a experiência, a carioca acabou tornando-se uma apaixonada pelo método. Formada em Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e no Okanagan College, no Canadá, Danielle também virou especialista em biodanza, sistema que utiliza música, movimentos e encontros em grupo para promover “integração emocional, vitalidade e conexão humana”.
“A biodança faz parte da minha vida desde que eu sou pequenininha. Meu pai era psiquiatra e facilitador de biodanza também”, conta. “É algo terapêutico, que cria transformações e aumenta a potência de viver, a capacidade de se relacionar. A ideia é alimentar as potências das pessoas através do movimento sentido. Saber de coisas racionalmente não garante modificações frente à existência. Para estar mais segura, preciso sentir essa segurança. Não adianta só pensar que eu deveria estar segura. As soluções têm que ter uma base afetiva e a biodanza vai nessa base”, destaca.
A psicóloga, de 53 anos, que organiza cursos no espaço Dhara Lisboa, em Benfica, esclarece que não é preciso saber dançar para alcançar os objetivos da biodanza. “Não é performance. É muito uma expressão corporal do que dança em si. Você experimenta a conexão com o outro. Na psicologia, muitas vezes, a gente fica muito no racional. Então, as coisas demoram muito tempo. A pessoa sabe que deveria agir de outra forma, mas não consegue, porque tem padrões emocionais que estão presos ali. A biodanza vai também nesses padrões”.
Em Portugal há oito anos, onde faz mestrado em Estudo de Gênero, na Universidade Nova de Lisboa, Danielle frisa que aplica na biodanza o que vem aprendendo no mundo acadêmico lisboeta. “Como os modelos de ser homem e de ser mulher impactam na percepção, na sexualidade e na saúde da pessoa. E quando a pessoa faz biodança, isso muda ou não? Enfim, a biodanza é como um campo de observação. Algumas coisas mudam de uma forma bastante interessante, mas se o facilitador não tiver um letramento de gênero, por exemplo, pode ser até que a pessoa reforce alguns estereótipos”.
Diretora pedagógica da Escola de Biodanza do Rio de Janeiro, ela afirma que o método vem ganhando cada mais espaço e, atualmente, já soma 220 escolas internacionais. “Só no Brasil temos 30 escolas. O país começou com a biodanza lá na década de 70. Quando eu era criança, chamavam de psicodança. Mas, em Portugal, há um movimento bastante grande. É uma área que vem crescendo de uma forma séria e comprometida”, aponta.
Individualismo e solidão
Danielle, que já levou cursos de biodanza a mais de 15 países, como Israel, Austrália, África do Sul, garante que a pessoa mais tímida do mundo pode fazer o curso. “Quando se começa um grupo, vamos bem devagar, com exercícios individuais. Depois, vamos introduzindo os exercícios com o outro. Mas a pessoa sempre tem a possibilidade de não fazer se estiver se sentindo desconfortável, porque não tem modelo de movimento, não tem a ideia de rendimento. Quando a gente fala em dança vem muito à cabeça: “vou ter de fazer bonito”. Na biodanza é o contrário”, diz.
E emenda: “A pessoa vai achar o seu movimento para sentir a expansão dos seus espaços internos. Isso já vai desafiá-la a buscar outras formas de estar no mundo. É socialmente transformador, porque elas passam a ser mais conectadas, mais afetivas e mais responsáveis”.
Em tempos de guerra e de tanta polarização, ela enfatiza a valorização do afeto na biodanza. “Como é que eu vou ser realmente cuidadosa, conectada, empática com as pessoas e com os ambientes? Como é que eu acolho a diversidade, supero o preconceito? Praticamos muito o afeto”, conta. “E é desse lugar de conexão que as pessoas conseguem encontrar suas potências e dissolver esses estados de individualismo e de solidão que vão causar, por exemplo, ansiedade, depressão. Nós vimos o que aconteceu na pandemia. A biodanza é um antídoto para isso”.
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