Curaçau conquista primeiro ponto em Mundiais com empate frente ao Equador — e herói entre postes

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O estreante Curaçau conseguiu, no sábado, 20 de Junho, o primeiro ponto de sempre em Mundiais de futebol, ao empatar a zero com o Equador, num encontro da segunda jornada do Grupo E da edição de 2026. A selecção estreante, com um herói entre postes e a família real neerlandesa nas bancadas, fez história.

Depois de ser goleado por 7-1 pela Alemanha, os caribenhos conseguiram segurar a igualdade sem golos face aos segundos classificados da zona sul-americana de qualificação, que também se tinham estreado com uma derrota (0-1 com a Costa do Marfim). Após a segunda jornada, a Alemanha, que soma seis pontos, assegurou a vitória no agrupamento, no qual é secundado pela Costa do Marfim, com três, enquanto Equador e Curaçau somam ambos um.

O guarda-redes Eloy Room regozijou-se por ter contribuído com 15 defesas para um inédito ponto do estreante de Curaçau. “É uma sensação muito boa. Acho que dei confiança à equipa e a mim mesmo depois daquela primeira defesa no início. Fui crescendo no jogo, que sabia que seria movimentado. Felizmente, consegui afastar todas as bolas e ajudar”, referiu, em declarações aos jornalistas, no fim da partida disputada no Estádio Arrowhead, em Kansas City, nos Estados Unidos.

Nenhuma equipa foi capaz de desbloquear o marcador, apesar do amplo domínio dos sul-americanos, que enquadraram 15 remates em 28 tentados e viram Eloy Room fixar o recorde de defesas num encontro nesta edição “Estou um pouco chateado, porque também tivemos oportunidades e teria sido perfeito se marcássemos, mas aceito o 0-0 e este ponto. Para nós, parece uma vitória. É surreal e é uma sensação inacreditável”, comentou o guarda-redes, distinguido pela FIFA como melhor jogador em campo.

Na história dos Mundiais, e desde que a FIFA começou a contabilizar essa estatística, em 1966, a marca do caribenho só fica atrás das 16 defesas feitas por Tim Howard em 2014, quando os Estados Unidos perderam frente à Bélgica nos oitavos de final (2-1), com recurso ao prolongamento. “Não estava ocupado a contar as defesas durante o jogo, mas sabia que eram muitas. Fiquei um pouco chateado por não ter batido o recorde do Tim Howard, mas estou orgulhoso na mesma”, reconheceu Eloy Room, de 37 anos, que pertence ao Miami FC, do segundo escalão norte-americano.

Eloy Room ajudou Curaçau, um dos quatro estreantes no Mundial 2026 e o país com menor população e área em fases finais, a pontuar pela primeira vez, seis dias depois dos sete golos sofridos na derrota com a tetracampeã Alemanha (7-1). “Não pensamos nisto quando acontece, mas vai ser algo para lembrar no futuro. Como guarda-redes, foi quase o jogo perfeito, sendo que consegui isso colectivamente. Eu fiz as defesas, mas lutámos como equipa”, reforçou, afirmando, com um sorriso, merecer uma estátua pelas intervenções feitas.

Face às ligações de Curaçau aos Países Baixos, de cujo reino faz parte, o encontro foi assistido na tribuna presidencial do estádio pela família real neerlandesa, que compareceu em Kansas City horas depois de assistir à vitória da selecção “laranja” sobre a Suécia (5-1), no Grupo F, em Houston. “Eles estavam muito felizes e orgulhosos e deram-me os parabéns. Além disso, vi-os dançar no balneário ao som da nossa música. É inacreditável que tenham assistido a este jogo”, partilhou Eloy Room, nascido em Nijmegen, mas com dupla nacionalidade e a actuar por Curaçau há 11 anos.

Um dos recordistas de internacionalizações da selecção caribenha, agora com as mesmas 74 de Leandro Bacuna, que também está no Mundial 2026, Eloy Room lançou-se como sénior nos Países Baixos, onde venceu uma Taça com o Vitesse e se sagrou campeão nacional pelo PSV Eindhoven. “O meu sonho era disputar o Campeonato do Mundo por Curaçau. Foi uma longa jornada e chamaram-me louco quando troquei os Países Baixos por Curaçau, mas tinha um objectivo em mente e não me importava o que as pessoas diziam. No fim, estou aqui. Estava certo”, revelou um dos 25 jogadores convocados por Curaçau que nasceram em território neerlandês.

Do palmarés constam ainda dois títulos norte-americanos pelo Columbus Crew, bem como uma já extinta Taça das Caraíbas por Curaçau, em 2017. “Acho que este foi o meu melhor jogo. Tive outro parecido na Gold Cup de 2019, uma vez que também fiz 15 defesas nos Estados Unidos e ganhámos por 1-0 às Honduras. Contudo, o Campeonato do Mundo é um palco maior e o Equador tem uma equipa muito boa”, finalizou Eloy Room, aludindo à primeira vitória de sempre do país na principal competição de selecções da América do Norte, América Central e Caraíbas (CONCACAF).

Equador e Curaçau têm um ponto cada no Grupo E do Mundial 2026, contra seis da Alemanha, já qualificada para os 16 avos de final e com o primeiro lugar garantido, depois de ter derrotado a Costa do Marfim (2-1), com três.

Na terceira e última jornada, agendada para quinta-feira, Curaçau pode apurar-se na segunda posição, se vencer a Costa do Marfim e acabar à frente do Equador, que tem cinco golos de avanço sobre os caribenhos e enfrenta a Alemanha, ou como um dos oito melhores terceiros colocados.

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