O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, manifestou-se este domingo contra a criação de um exército europeu e defendeu que faz sentido continuar a olhar para a NATO como a principal frente defensiva da Europa.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), “enquanto organização que é de dissuasão e defesa, tem cumprido muito bem o seu papel”, defendeu Melo, numa entrevista ao Jornal de Notícias e à rádio TSF.
“E tem cumprido muito bem o seu papel também por causa desta opção que é atlantista, juntando um lado e o outro do Atlântico, com os Estados Unidos da América [EUA] na equação”, sublinhou o ministro.
“Uma defesa europeia não é igualmente eficaz com ou sem Estados Unidos”, defendeu Melo.
O ministro desvalorizou as tensões entre os membros europeus da NATO e a administração dos EUA, liderada pelo Presidente Donald Trump, que já por várias vezes ameaçou abandonar a organização.
“Eu não confundo a administração de um país com esse país e o seu povo. As administrações são transitórias”, sublinhou Melo.
“Nunca o espaço continental europeu (…) teve tanto tempo permanente de paz, como tempo que medimos desde o final da Segunda Guerra Mundial, também por causa da NATO”, disse o ministro, excluindo o conflito na Ucrânia.
Já em 12 de Maio Nuno Melo se tinha manifestado contra a criação de um exército europeu, frisando que o importante é reforçar o pilar europeu de Defesa na NATO e investir nas Forças Armadas nacionais.
“Tendencialmente sou contra a ideia de um exército europeu, o que não invalida que no espaço da União Europeia (UE) e no contexto europeu, não devamos articular aquilo que são aspectos fundamentais de uma Defesa comum”, afirmou Melo em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros da Defesa da UE, em Bruxelas.
O ministro da Defesa referiu que a sua oposição a um exército europeu é uma “posição antiga, de há muitos anos no Parlamento Europeu e não muda no âmbito do Governo”.
“Eu entendo que nós devemos reforçar aquilo que é o pilar europeu de Defesa da NATO, o que passa por dar melhores condições aos nossos militares, por modernizar e melhorar infra-estruturas e equipamentos, por estarmos à altura das missões que nos são pedidas dentro e fora, que é uma coisa diferente de um exército europeu”, afirmou.
O Governo espanhol tem defendido a criação de um exército europeu, afirmando que isso deve ser feito imediatamente, “não em dez anos”, como forma de preservar a sua liberdade num contexto de crescentes tensões com os Estados Unidos.
Essa ideia já foi descartada pela Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, que a considerou ilusória, apelando antes a que se reforcem as Forças Armadas dos países europeus.
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