Dinheiro que EUA gastam na guerra do Irão poderia salvar 87 milhões de pessoas

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As verbas que os Estados Unidos gastam na guerra com o Irão seriam suficientes para financiar o sector humanitário das Nações Unidas e salvar 87 milhões de pessoas. As contas e as críticas são de Tom Fletcher, sub-secretário-geral da ONU para os assuntos humanitários e auxílio de emergência, a braços com um corte orçamental de 50%. Em declarações citadas pelo Guardian, o responsável responsabiliza uma tendência global da diminuição da ajuda externa, protagonizada pelos EUA, motivada pelo desvio de financiamento dos orçamentos nacionais do auxílio internacional para o sector da defesa.

“Por cada dia deste conflito, gastam-se dois mil milhões de dólares [cerca de 1,69 mil milhões de euros]. O meu objectivo inteiro para um plano altamente focado para salvar 87 milhões de vidas é 23 mil milhões de dólares [19,5 mil milhões de euros]. Podíamos ter financiado isso em menos de uma quinzena desta guerra irresponsável. Agora, como é claro, não podemos”, lamentou Fletcher esta segunda-feira num evento da Chatham House em Londres.

Fletcher sublinha que as consequências do conflito se sentem e continuarão a ser sentidas além do Médio Oriente. “Vamos sentir o impacto durante anos na África subsaariana e na África Oriental, empurrando mais pessoas para a pobreza”, alertou, apontando que a guerra no Irão possa resultar num aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis na ordem dos 20%.

no final de 2025, perante a escassez de financiamento global para operações humanitárias, o responsável da ONU alertava para a “apatia” de um mundo cujo “instinto de sobrevivência foi entorpecido pelas distracções e corroído pela apatia, em que investimos mais energia e dinheiro para encontrar novas formas de nos matarmos uns aos outros e em que os políticos se gabam de cortar as ajudas”.

Paralelamente à dimensão financeira, Fletcher alerta para os riscos associados à linguagem política utilizada no contexto do conflito, especialmente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

“A ideia que de repente é aceitável dizer ‘OK, vamos rebentar coisas, vamos bombardear-vos de volta à idade da pedra, destruir a vossa civilização’, normalizar esse tipo de linguagem é realmente perigoso. Dá mais liberdade a todos os outros aspirantes a autocratas pelo mundo fora para usarem esse tipo de linguagem e esse tipo de tácticas, visando infra-estruturas civis e civis de uma forma que viola completamente o direito internacional”, lamentou.

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