Empresário abre mão dos juros altos no Brasil para investir em startups em Portugal

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O empresário Sérgio Hilgert, 71 anos, está bem próximo de fincar os dois pés em Portugal. Seu objetivo maior quando decidiu cruzar o Atlântico — o que deve se consolidar dentro de um ano e meio, no máximo — é ficar mais próximo do filho e do neto que vivem na Alemanha. “Eu e minha mulher estamos decididos a trocar São Paulo por Lisboa”, diz.

Mas, antes mesmo de fazer as malas e empacotar a mudança, ele começou a mapear possíveis investimentos que pode fazer na terra de Camões. “Quero investir parte do meu patrimônio em startups, pois gosto de incentivar boas ideias. Há muitos jovens com projetos bem interessantes, que precisam de apoio financeiro para deslancharem”, afirma.

O primeiro passo nesse sentido foi dado na última semana, quando ele decidiu injetar recursos em um fundo de investimentos especializado em startups, com sede em Aveiro, região Centro de Portugal. “Fui o primeiro investidor desse fundo, que promete acelerar negócios voltados à inovação”, destaca o empresário, sem, no entanto, revelar o valor do negócio.

Hilgert ressalta que não é um neófito nesse mercado. Desde que, em 2020, vendeu sua empresa, a corretora de seguros Euroamerica, especializada em grandes obras de infraestrutura, ele passou a investir em um hub de startups, o GVangel, administrado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O aporte inicial foi de 166,7 mil euros.

Agora, ele deseja dar passos mais largos em Portugal. “Vejo as startups com os olhos do futuro. A minha opção é sempre por projetos voltados à inovação, mas com responsabilidade social e ambiental. Isso é fundamental para os meus negócios”, assinala. Portugal, na visão dele, tem dado bons exemplos nesse mundo tecnológico.

Empregos e renda

O investidor frisa que está decidido a diversificar seus investimentos e nem mesmo o fato de o Brasil ostentar, neste momento, a maior taxa real de juros do mundo, de 9,1% ao ano, quando descontada a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,72%, reduz seu apetite por Portugal.

“Poderia deixar o dinheiro que estou investindo em Portugal aplicado em títulos do governo brasileiro, garantindo uma ótima remuneração sem fazer qualquer esforço, contudo, considero importante apoiar negócios que vão contribuir para a economia, gerar empregos e renda”, afirma.

Hilgert conta que, hoje, ele divide seu tempo entre Brasil e Portugal. “Tenho passado três meses em Portugal e três meses no Brasil. Já comprei meu apartamento em Lisboa, que considero um local estratégico para viver. Tem bom clima, agitação dos centros urbanos e boas oportunidade negócios”, destaca.

Ele lembra que já passou uma temporada na Alemanha, onde o filho vive há 14 anos, e nos Estados Unidos. Mas, para ele, Portugal se sobressai, até pela proximidade cultural com o Brasil e por estar no radar de investidores, sobretudo, brasileiros, que desejam ter uma base para explorar o mercado europeu.

Essas vantagens competitivas, acredita o empresário, aumentaram consideravelmente depois da entrada em vigor, mesmo que temporária, do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. “Eu, como investidor, vejo ótimas oportunidades. E estou prospectando onde investir”, diz.

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