
A França vai investir 655 milhões de euros no desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e lançar um chatbot comum para todos os funcionários públicos, anunciou nesta terça-feira o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, numa publicação na rede social X.
As medidas foram anunciadas antes do arranque da feira tecnológica VivaTech, em Paris, e fazem parte do plano de investimentos estratégicos “France 2030”. O assistente destinado aos serviços do Estado deverá ser disponibilizado até ao final do ano a todos os funcionários públicos, enquanto a versão para a área da saúde será integrada na Ameli, a plataforma digital do sistema público de saúde francês, para ajudar os utilizadores a orientarem-se mais facilmente no acesso a cuidados e serviços.
França abandona Palantir e aposta em alternativa nacional
O primeiro-ministro francês anunciou também que a Direcção-Geral da Segurança Interna (DGSI), o serviço de informações interno francês, decidiu rescindir o seu contrato com a empresa tecnológica norte-americana Palantir, e que a empresa francesa de software Chaps Vision foi seleccionada para a substituir. A medida reflecte a crescente cautela dos governos europeus em relação à dependência das plataformas tecnológicas norte-americanas e, em particular, do conjunto de produtos da Palantir. “Não podemos depender de ferramentas desenvolvidas por potências estrangeiras. A França tem de dispor dos seus próprios instrumentos”, afirmou Lecornu.
Comme l’électricité hier, comme Internet il y a trente ans, l’intelligence artificielle change déjà nos vies.
Le temps des expérimentations est terminé. J’ai décidé d’accélérer la transformation de l’État :
? un assistant conversationnel souverain commun pour tous les agents… pic.twitter.com/bAMDPEKqVh
— Sébastien Lecornu (@SebLecornu) June 16, 2026
Fundada pelo bilionário Peter Thiel com o apoio da CIA, a Palantir comercializa ferramentas de integração de dados com IA de nível militar a governos e empresas. A imprevisibilidade do presidente Donald Trump na cena internacional levou os aliados europeus a questionar se o apoio prestado pelos EUA ao longo de décadas em áreas como a segurança e a tecnologia ainda pode ser dado como garantido.
A Palantir tem estado entre as empresas tecnológicas norte-americanas mais afectadas, embora, na semana passada, a Anthropic tenha anunciado que iria “desactivar abruptamente” os seus modelos de IA mais avançados, o Fable 5 e o Mythos 5, para todos os utilizadores, depois de o governo dos EUA ter ordenado que fossem impedidos de aceder a esses modelos os cidadãos estrangeiros, invocando razões de segurança nacional.
As forças armadas alemãs anunciaram que deixarão de utilizar a Palantir, enquanto o Reino Unido está a rever o contrato de dados no valor de 330 milhões de libras (cerca de 380 milhões de euros) celebrado entre o Serviço Nacional de Saúde e a Palantir, na sequência de pressões políticas e parlamentares. O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, também bloqueou uma proposta de contrato de 50 milhões de libras (cerca de 58 milhões de euros) entre a Palantir e a polícia da capital, invocando razões relacionadas com a relação custo-benefício e com o processo de adjudicação.
“Podemos ser vítimas desta revolução (da inteligência artificial) ou podemos liderá-la”, acrescentou Lecornu na publicação no X. “A questão não é se o Estado continuará a utilizar a inteligência artificial, mas sim a que ritmo se irá transformar.”
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