Há um lugar no Alentejo que não tem pressa

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No coração do Baixo Alentejo, em Albernoa, a Herdade da Malhadinha Nova é um daqueles lugares que parecem existir fora do tempo — onde o silêncio tem densidade e o luxo se revela sem esforço. Não há ostentação. Há, antes, uma elegância discreta, feita de paisagem, matéria e intenção.

“Quando compramos a herdade, em 1998, estava completamente abandonada havia mais de 30 anos. Foi um processo de construção muito orgânico, muito ligado à terra”, conta Rita Soares, uma das fundadoras do projeto.

Quase três décadas depois, o que se vê é o resultado de um percurso construído com tempo, consistência, respeito e uma visão muito clara. “A Malhadinha afirma-se como um ecossistema vivo, pensado para regenerar o território, preservar a biodiversidade e partilhar valores”, explica Rita. Hoje, aproxima-se de níveis elevados de autossuficiência — do vinho ao azeite, do mel à água —, num caminho consistente de sustentabilidade.

Os rótulos da casa acumulam prêmios e reconhecimento internacional, mantendo uma identidade firme: vinhos com caráter, profundamente ligados ao terroir. Na adega, as provas são mais do que degustações — são uma narrativa líquida da região, conduzida com precisão e sensibilidade.

Um passeio pelo Alentejo tradicional
Ian Mollard

Mas a experiência vai além do vinho. Há passeios a cavalo com elegantes lusitanos entre vinhas infinitas, workshops de olaria que resgatam saberes ancestrais e caminhadas pelo bosque, onde se colhem ervas aromáticas que depois ganham nova vida em bálsamos artesanais. Tudo segue um mesmo princípio: reconectar com a terra, com o tempo e consigo mesmo.

Na gastronomia, essa filosofia ganha forma nas mãos de Joachim Koerper e Cíntia Koerper, à frente da cozinha desde 2008. “Trabalhamos ao máximo com aquilo que a terra nos dá. Usamos os nossos produtos, o porco preto, as hortícolas, tudo o que conseguimos produzir aqui, sempre respeitando a sazonalidade”, explica Joachim.

Chef pasteleira, Cíntia acrescenta uma dimensão pessoal à experiência, sobretudo nas sobremesas, onde imprime referências sutis das suas origens. “Sempre que tenho oportunidade, gosto de trazer um pouco do Brasil para dentro daquilo que faço”, diz. Esse diálogo ganhou expressão recente na celebração de fim de ano, dedicada aos países de língua portuguesa. “Foi muito especial poder criar pratos inspirados no Brasil, trazer um pouco das minhas raízes para este lugar que é tão único”, diz ela.

O reconhecimento chega de forma consistente: a Estrela Verde do Guia Michelin, atribuída pelo terceiro ano consecutivo, distingue práticas sustentáveis que refletem uma filosofia transversal a todo o projeto.

Entre uma experiência e outra, há ainda o tempo — esse luxo raro. Tempo para um tratamento no spa, desenhado pelo ateliê Aires Mateus, onde a arquitetura dialoga com a paisagem e convida ao recolhimento. Tempo para provar o mel produzido ali mesmo, ou simplesmente para não fazer nada.

Nos quartos, a mesma lógica: conforto absoluto, sem excessos. Na Casa das Pedras, cada detalhe parece pensado para desacelerar — um refúgio quase secreto, ideal para uma escapadinha a dois.

“A nossa obsessão é a excelência em tudo o que fazemos”, diz Rita Soares. Mais do que um destino, a Malhadinha afirma-se como um legado em construção, um projeto pensado para atravessar gerações, com a ambição de devolver à terra tudo aquilo que dela recebe, num equilíbrio raro entre preservação, identidade e futuro.

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