O líder parlamentar e secretário-geral do PSD, Hugo Soares, disse neste sábado, durante uma conferência sobre democracia, na cidade da Praia, em Cabo Verde, que quem saiu do partido para o Chega “nunca teve espaço por falta de qualidade”.
“Vejam quantos líderes de partidos populistas nasceram, tendo tido espaço nos partidos tradicionais, e vejam depois quem são os quadros que se transferem dos partidos tradicionais para os partidos populistas: são sempre gente que não teve espaço, por falta de qualidade, nos partidos tradicionais. Nunca é de outra maneira”, referiu.
Hugo Soares foi um dos oradores convidados da conferência internacional Democracia em África promovida pelo Movimento pela Democracia (MpD, no poder em Cabo Verde) e respondia a questões sobre perigos e origens do populismo. “Eu não conheço um dirigente ou militante do PSD que tenha saído para o Chega e que eu quisesse que ele voltasse. Era sempre gente que nunca teve espaço por falta de qualidade, por falta de capacidade, muitas vezes por falta de carácter. Porque, atenção, nós nos nossos partidos também os temos menos bons”, uma vez que “os partidos representam a sociedade” e “há de tudo”, acrescentou.
Um dos três presidentes de câmara eleitos pelo Chega nas autárquicas de Outubro foi Rui Cristina, que chegou a ser eleito deputado à Assembleia da República pelo PSD em 2019 e 2022 pelo distrito de Faro. No início de 2024 anunciou que passava a deputado não-inscrito e desfiliou-se do PSD, mudando-se para o Chega, onde liderou, nas legislativas de Março desse ano, a lista de candidatos por Évora e, em 2025, pelo distrito de Beja, sendo eleito em ambas as ocasiões. Também a ex-deputada social-democrata Lina Lopes, que chegou a ser presidente das Mulheres Social-Democratas e a representar os Trabalhadores Social-Democratas no secretariado executivo da UGT, deixou o PSD e candidatou-se como independente à Câmara de Setúbal com o apoio do Chega. E trabalha actualmente no gabinete do vice-presidente da Assembleia da República Diogo Pacheco de Amorim, do Chega.
Ao mesmo tempo, há uma “tendência na política” que, segundo Hugo Soares, pode conduzir “ao desastre final”. “De cada vez que se levanta um movimento populista, a tendência dos políticos [que estão em funções] é: ‘nós temos de ser mais transparentes’. Se eles nos pedem para saber a cor da camisa, nós queremos logo dizer a cor das meias”, ilustrou.
“Nós achamos que temos de ir para os vettings, que temos de aumentar o escrutínio a todos os níveis”, levando a outras consequências, referiu. “Nós estamos a destruir (…) um distanciamento que é exigível entre aqueles que governam e os que são governados, sem que isso queira dizer que há sobranceria, sem que isso queira dizer que há distanciamento ou que há falta de escrutínio”, detalhou o líder parlamentar do PSD.
Hugo Soares exemplificou o contexto com a discussão sobre os ordenados dos políticos, referindo que “aqueles que querem” que ganhem menos “nunca vão estar satisfeitos”. “Quando nós descermos um ordenado de um político, eles vão achar que nós devíamos descer mais. Quando aumentarmos as regras de escrutínio, eles vão querer que as regras aumentem mais. E de quem é a responsabilidade? É só nossa, porque achamos que é assim que cumprimos os nossos desígnios para combater o populismo”, mas não é, referiu.
O combate, segundo Hugo Soares, deve ser feito com “a coragem de dizer que [os políticos] são mal pagos e com a coragem de legislar para que sejam mais bem pagos. Só assim é que vamos atrair os melhores”. “O populismo só se combate de duas formas: governando bem e tendo a coragem, sempre, de continuarmos o nosso caminho, independentemente daquilo que se vai dizendo”, concluiu.
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