Inflação continua a subir nos EUA e pressiona Fed e Trump

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A taxa de inflação nos Estados Unidos atingiu em Maio o valor mais alto dos últimos três anos, colocando pressão sobre a Reserva Federal para subir as taxas de juro e fragilizando ainda mais a posição de Donald Trump na gestão do conflito no Médio Oriente.

Os dados publicados esta quarta-feira pelo Departamento do Trabalho dos EUA não constituíram uma surpresa para a generalidade dos analistas: com o contributo decisivo dos preços dos bens energéticos, o índice de preços no consumidor norte-americano continuou em Maio a subir a um ritmo elevado, tendo aumentado 0,5% face ao mês imediatamente anterior e elevando a taxa de inflação homóloga (que compara os preços com os do mesmo mês do ano anterior) dos 3,8% de Abril para 4,2%.

Foi o terceiro mês consecutivo de agravamento da taxa de inflação nos EUA, prolongando uma tendência iniciada em Março, logo a seguir ao início dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão.

De facto, o conflito no Médio Oriente, com o forte constrangimento na circulação marítima no estreito de Ormuz, está a ser o factor crucial para esta nova aceleração dos preços nos EUA. Em Maio, mais de 60% da variação mensal dos preços continuou a ser explicada pelo encarecimento dos produtos energéticos, nomeadamente os combustíveis.

Para além disso, começa-se igualmente a fazer sentir, ainda que de forma moderada, o efeito de contágio dos preços da energia para os outros bens e serviços. A taxa de inflação subjacente, que exclui os preços da energia e dos alimentos, subiu em Maio de 2,8% para 2,9%, fugindo também ela ao objectivo de 2% definido pela Reserva Federal norte-americana.

Perante este cenário, a autoridade monetária agora liderada por Kevin Warsh, fica cada vez mais sob pressão. Apesar de a expectativa de Donald Trump com a nomeação de um novo presidente seja a de que este possa pôr em prática uma descida das taxas de juro, a subida da inflação para valores já acima dos 4% pode forçar os responsáveis da Fed – que tomam as decisões de forma colegial – a ir precisamente no sentido contrário. As expectativas de que o próximo movimento de taxas de juro seja uma subida têm vindo a consolidar-se nos mercados e o resultado da inflação publicado esta quarta-feira torna ainda mais provável um cenário desse tipo.

A taxa de inflação de 4,2% em Maio faz também com que, pelo segundo mês consecutivo, a subida dos preços registe um um valor superior às actualizações salariais, o que significa que, em média, os norte-americanos estão a perder poder de compra.

Este é um fenómeno que constitui uma das principais causas de perda de popularidade para o presidente Trump, que prometeu reduzir a inflação, mas que tomou medidas, como o lançamento de tarifas e o início de um conflito militar no Médio Oriente, que estão a ter o efeito inverso.

Por isso, para Donald Trump, a persistência da subida da inflação representa mais uma razão para se sentir pressionado a encontrar uma saída rápida do conflito, fragilizando ainda mais a posição norte-americana nas difíceis negociações que mantém com o Irão.

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