A par do dinheiro atribuído aos centros de investigação para os próximos cinco anos, em 2025 foi ainda dada uma verba específica para gastar em equipamentos. Mais concretamente, 160 milhões de euros, oriundos do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). Os centros de investigação têm de os gastar até 30 de Junho deste ano, prazo final para executar as verbas do PRR. Mas o prazo parece ser uma corrida contra o tempo.
Os 160 milhões de euros foram distribuídos em duas levas. Uma primeira, de 110 milhões de euros, que foi dada com o financiamento global atribuído na avaliação das unidades de investigação, em Abril do ano passado. E uma segunda, mais recente, de 50 milhões de euros, e cujos resultados definitivos só saíram em Dezembro. Feitas as contas, os centros de investigação que receberam verbas para comprar equipamentos tinham seis meses para fazer todo o processo.
“Estamos em stress máximo”, admite Patrícia Maciel, directora do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde na Universidade do Minho. “Temos processos de concursos públicos com equipamentos de grande monta, e estamos a lutar contra o tempo, com ansiedade muito elevada, para ver se conseguimos concretizar neste prazo.” O stress e a ansiedade são sentimentos partilhados com boa parte das três dezenas de responsáveis por centros de investigação com quem o PÚBLICO falou.
A maioria refere “apreensão”, “preocupação”, “enorme esforço” e tentativas de “apressar os processos” para que tudo seja concluído a tempo. Caso tal não aconteça, o dinheiro não poderá ser gasto noutra altura, visto que está englobado no pacote do PRR. Ainda assim, todos se mostram confiantes de que, até final de Junho, esteja tudo concluído, embora à custa desse esforço redobrado para fazer os processos avançar mais rápido.
Sérgio Seixas de Melo, director do Centro de Química de Coimbra, acrescenta outro problema futuro: compram-se equipamentos porque o dinheiro apenas permite esse investimento, mas faltará mão-de-obra. “Vamos ter equipamentos novos que não têm pessoas para cuidar deles, pela escassez de recursos humanos”, admite.
O dinheiro dado aos centros de investigação através dos fundos do PRR foi o mecanismo encontrado pelo Governo de Luís Montenegro para garantir uma execução mais fácil dos fundos europeus, enquanto acenava também com um aumento do investimento em ciência. Contudo, o processo foi sinuoso, dado que só foram anunciados fundos para equipamentos científicos na semana anterior à divulgação dos resultados da avaliação das unidades de investigação, acabando por prejudicar quem tinha escolhido investir em recursos humanos, por exemplo, neste ciclo de financiamento.
Como o dinheiro se destinava exclusivamente a equipamento científico, confirma-se que as ciências sociais e humanas, que necessitam de recursos menos dispendiosos, acabam prejudicadas. Nos primeiros 110 milhões de euros entregues aos centros de investigação, se juntarmos todas estas áreas (da história, linguística, arqueologia, psicologia, educação ou direito, entre outras), apenas 12% desse montante (ou seja, 13,5 milhões de euros) foi para estes centros de investigação — que, note-se, integram 35% do total de investigadores.
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