O locutor de rádio e apresentador de televisão Cândido Mota, também actor, morreu na madrugada deste domingo aos 82 anos, avançou a rádio TSF e confirmou a agência Lusa.
Cândido Mota estava internado desde 13 de Abril no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
O radialista morreu “sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos”, disse à Lusa a filha do apresentador, Teresa Mota.
Cândido Soares Pinto da Mota, nascido a 28 de Setembro de 1943, em Espinho, uma das vozes mais marcantes da história da rádio e precursora dos programas interactivos, de que é exemplo maior “O passageiro da noite”, encontrava-se internado no Hospital de Santa Maria desde o dia 13 de Abril, tendo chegado a ser falsamente noticiada a sua morte alguns dias depois.
O radialista, que se destacou na apresentação de vários programas, viu a sua fama crescer ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José na televisão.
Contudo, nos últimos anos afastou-se da vida mediática e actualmente residia na Casa do Artista, em Lisboa.
Voz marcante, pioneiro da rádio interactiva
Cândido Mota construiu um percurso singular, profundamente ligado à evolução da rádio moderna em Portugal, e era reconhecido pelo timbre grave e por uma presença tão discreta quanto determinante na história da comunicação nacional.
Exemplo disso foi o programa nocturno Passageiro da noite, um dos pioneiros na interacção directa, em que Cândido Mota cedia o seu espaço para os ouvintes falarem sobre o que lhes apetecesse.
Filho da fadista Maria Albertina, cresceu num ambiente ligado à música e à palavra, tendo assumido, numa entrevista ao programa de Manuel Luís Goucha, em 2022, que fora a sua mãe quem o lançara na vida profissional.
Com uma infância marcada pela morte precoce do pai, Cândido Mota recordou esse episódio e as suas últimas palavras como algo estruturante para a sua vida e sensibilidade artística.
Iniciou‑se profissionalmente na rádio aos 17 anos, no Rádio Clube Português, afirmando‑se rapidamente como um locutor de talento distintivo, reconhecimento que se consolidou na Rádio Comercial, com programas como Em Órbita, Dançatlântico e, sobretudo, O Passageiro da Noite, que viria a ser considerado um marco da rádio portuguesa.
Emitido a partir de 1979, O Passageiro da Noite abriu a antena aos ouvintes a partir da meia-noite, tornando‑se uma das primeiras experiências interactivas da rádio em Portugal.
Décadas mais tarde, ao revisitar o fim do programa, depois de dois anos no ar, Cândido Mota assumiria que “foi a única vez” em que não esteve bem, numa alusão ao desgaste emocional que levou ao fim da emissão, assumindo a sua responsabilidade.
A partir da década de 1990, Cândido Mota tornou‑se também rosto e voz familiar da televisão portuguesa, ao iniciar uma colaboração duradoura com Herman José.
Foi a emblemática voz‑off de concursos como A Roda da Sorte e Com a Verdade Me Enganas, na RTP, acompanhando posteriormente o humorista em vários formatos na SIC, e com participações ocasionais em sketches televisivos.
Enquanto figura histórica da rádio, foi convidado a partilhar o seu testemunho no programa da RTP No Ar, História da Rádio em Portugal, transmitido em 2010, no qual falou do seu percurso e da concepção da rádio como espaço de intimidade, escuta e participação cívica.
PCP lamenta perda de “uma das figuras mais emblemáticas da comunicação”
Cândido Mota era militante comunista e o PCP já veio lamentar a morte de “uma das figuras mais emblemáticas da comunicação” e um “cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural”. Em comunicado, o secretariado do comité central do partido manifesta “profundo pesar pelo falecimento de Cândido Mota, militante comunista, e transmite às suas filhas, netas e restante família as suas sentidas condolências”.
“Reconhecido pela sua voz Cândido Mota foi, não apenas um locutor de sucesso, mas um cidadão profundamente empenhado na intervenção social e cultural”, salienta o partido, considerando que se afirmou “como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, cruzando uma carreira de excelência na rádio e televisão com um compromisso cívico e político inabalável”.
O PCP recorda que o militante se tornou numa “presença indissociável da Festa do Avante!, onde foi, durante mais de 35 anos, a voz anfitriã e o rosto do Palco 25 de Abril” e considera que a sua voz era “um símbolo de serenidade e entusiasmo”
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