Na última decisão como presidente, Powell voltou a não fazer a vontade a Trump

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Uma Reserva Federal (Fed) cada vez mais dividida decidiu esta quarta-feira não alterar as suas taxas de juro. Na última reunião com Jerome Powell na liderança, a autoridade monetária dos Estados Unidos da América (EUA) voltou a não dar a Donald Trump as descidas rápidas de taxas de juro que o presidente norte-americano tanto deseja.

Foi com oito votos a favor e quatro contra que os governadores do sistema de reservas federais dos EUA optaram por manter as taxas de juro no intervalo entre 3,5% e 3,75% em que se encontram já há vários meses. Foi a votação mais dividida desde 1992, que revela os rumos muito diferentes para os quais os actuais membros da Fed querem levar a política monetária norte-americana.

Um dos votos contra foi de Stephen Miran, que defendeu que a Fed devia baixar as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, uma posição que tem invariavelmente defendido desde que deixou de ser o líder dos conselheiros económicos de Donald Trump para ocupar um lugar na Reserva Federal dos EUA.

Os outros três votos contra foram de governadores que, no sentido contrário, consideraram que, na actual conjuntura de subida da inflação, o comunicado emitido pela Fed não deveria continuar a sinalizar a possibilidade de descidas de taxas de juro num futuro próximo.

No comunicado em que foi explicada a decisão de não alterar as taxas de juro, passou a afirmar-se que “a inflação é elevada, em parte reflectindo a subida recente dos preços globais da energia”. Foi deste modo alterada a descrição de uma inflação “de alguma forma elevada” presente nos comunicados das anteriores reuniões.

No entanto, ao mesmo tempo, manteve-se a indicação de que a Fed irá avaliar a realização de “ajustamentos adicionais” às suas taxas de juro, uma frase que surgiu na sequência das descidas feitas no final do ano passado.

Tanto os votos, como as declarações potencialmente contraditórias presentes no comunicado tornam evidentes as dificuldades que existem neste momento na Fed em encontrar consensos, à medida em que os membros nomeados por Donald Trump se vão juntando aos membros mais antigos da instituição, como o presidente Jerome Powell.

Warsh a caminho

A reunião desta quarta-feira do comité que decide as taxas de juro de referência da Reserva Federal deverá ter sido a última em Jerome Powell participou como presidente da instituição.

Poucas horas antes do fim da reunião de política monetária, a comissão para o sector bancário do Senado dos EUA aprovou, com treze votos a favor dos membros republicanos e 11 votos contra dos membros democratas, a nomeação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell à frente da Fed.

O actual presidente termina o seu mandato a 15 de Maio e o passo dado esta quarta-feira pelo Senado era decisivo para que Warsh, a escolha de Donald Trump para o cargo, possa vir a assumir funções muito rapidamente. O processo irá passar agora para um voto da totalidade dos senadores, que se se espera que possa igualmente ser favorável à nomeação, tendo em conta a maioria republicana que actualmente existe no Senado.

Donald Trump tem, desde que regressou à Casa Branca, criticado de forma violenta e pública, a forma como a Fed liderada por Jerome Powell tem conduzido a política monetária nos EUA. O presidente considera que as taxas de juro deveriam ser colocadas a níveis muito mais baixos do que os actuais, mesmo num cenário em que a taxa de inflação permanece, por causa da política de tarifas seguida pela Casa Branca e da guerra no Irão, claramente acima da meta de 2% definida pela Fed como um dos objectivos da sua acção.

A chegada de Warsh à presidência, contudo, pode não significar que Trump irá passar a ter a sua vontade satisfeita muito rapidamente. Como revela a votação desta quarta-feira, as decisões da Fed feitas de forma colegial pela totalidade dos seus membros, estão longe, mesmo sem Powell na presidência, de apontar para um corte imediato das taxas de juro.

Na conferência de imprensa que se seguiu à decisão, Jerome Powell confirmou a sua intenção de, depois de abandonar a presidência, se manter como governador.

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