Nova agência é oportunidade para preparar a próxima década de ciência e inovação, diz João Barros

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O presidente do conselho de administração da Agência para a Investigação e Inovação (AI2), João Barros, afirmou esta segunda-feira que a criação da nova agência representa uma oportunidade para preparar a próxima década do ecossistema nacional de ciência e inovação.

Doutorado em Engenharia Electrotécnica e Tecnologias de Informação e professor catedrático na Universidade do Porto, João Barros tomou posse enquanto presidente da agência que resultou da fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI).

Durante o discurso, na cerimónia que decorreu no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva, em Lisboa, recordou uma conversa com José Mariano Gago (1948-2015), antigo ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior. Essa conversa, uma das mais importantes da sua vida”, aconteceu há cerca de 15 anos, quando o investigador enfrentava uma fase de desânimo com o sistema científico português.

“Depois dos 40 anos vais ver que começas a ver a vida, não ano a ano, mas década a década. E verás que tens sempre maré cheia, maré vaza, maré cheia, maré vaza, e por aí fora. A maré vaza é muito, muito importante, porque é na maré vaza que preparamos a maré cheia”, disse-lhe Mariano Gago.

No dia em que assumiu a liderança da nova agência, cuja criação foi controversa, em particular devido à extinção da FCT, criada em por Mariano Gago em 1997, João Barros sublinhou a oportunidade para preparar a maré cheia. “Temos hoje a oportunidade única e extraordinária de pensar, planear e construir, em conjunto, as próximas décadas e as próximas marés cheias do nosso ecossistema nacional de ciência e de inovação”, afirmou o presidente do conselho de administração da AI2.

Sublinhando o papel da ciência, da investigação fundamental e da procura de conhecimento enquanto “pedra basilar a partir da qual conseguimos construir tudo o resto”, João Barros destacou a proximidade entre a ciência e a inovação, uma relação que permitirá encontrar novas soluções e construir o futuro.

“Estamos unidos na ambição de construir uma nova agência que, além de apoiar financeiramente a investigação e a inovação, saiba pensar o nosso ecossistema com todos os seus actores, mapeando competências e lacunas e identificando as necessidades de conhecimento da nossa indústria e do nosso país”, disse, referindo a discussão em curso dos domínios estratégicos para os próximos anos.

João Barros apontou ainda a necessidade de estreitar ligações entre as unidades de investigação e desenvolvimento (I&D), as instituições de ensino superior e as empresas. “Chegou também o momento de catalisar mais empreendedorismo de base tecnológica, expandir a utilização da inteligência artificial de forma segura e responsável e promover a nossa soberania e autonomia estratégica na ligação profunda e profícua às redes globais do conhecimento, do investimento e da criação de valor”, continuou.

O objectivo, resumiu, é contribuir para “um país forte, com uma economia dinâmica, onde vale a pena investigar, descobrir, colaborar, inovar, empreender, investir e escalar para todo o mundo”.

O novo conselho de administração da Agência para a Investigação e Inovação (da esquerda para a direita): Luís Sarmento, Maria Moura Oliveira, João Barros, Teresa Pinto Correia e António Bob Santos
MANUEL DE ALMEIDA/Lusa

Uma agência que é uma “aliada”

Quanto às expectativas que investigadores e empresas têm relativamente à AI2, que diz estarem muito mais próximas do que pode parecer, João Barros comprometeu-se com o respeito pela liberdade académica e de iniciativa privada, estabilidade financeira, previsibilidade nos concursos, decisões justas e atempadas e uma agência autónoma que sentem como aliada”.

Estamos unidos na ambição de construir uma nova agência, que, para além de apoiar financeiramente a investigação e inovação, saiba pensar o nosso ecossistema com todos os seus actores, mapeando competências e lacunas e identificando as necessidades de conhecimento da nossa indústria e do nosso país”, destacou ainda o novo presidente da AI2 no seu discurso na cerimónia da tomada de posse, onde estiveram Fernando Alexandre (ministro da Educação, Ciência e Inovação) e Manuel Castro Almeida (ministro da Economia e da Coesão Territorial)​.

“É urgente ampliar os vasos comunicantes e produtivos entre as unidades de I&D, as instituições do ensino superior, as pequenas, médias e grandes empresas e os vários sectores da sociedade portuguesa em todo o território. Ao mesmo tempo que alinhamos estratégias nacionais e europeias (em particular, com base nos relatórios Draghi, Letta e Heitor), queremos ser voz activa e maximizar a nossa participação nos programas europeus (em particular, no Horizonte Europa e no Fundo Europeu para a Competitividade)”, acrescentou João Barros.

Em funcionamento desde 1 de Janeiro, a AI2 foi criada no âmbito da reforma do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, tendo o estatuto jurídico de entidade pública empresarial (EPE) e tripla tutela ministerial (da Ciência, da Economia e das Finanças).

Além de João Barros, tomaram posse, como membros do conselho de administração da AI2, Teresa Pinto Correia (vice-presidente com o pelouro da investigação), Maria Moura Oliveira (vice-presidente com o pelouro da inovação) e António Bob Santos e Luís Sarmento (vogais executivos). Cá estaremos daqui a uma década, neste mesmo Pavilhão do Conhecimento, para celebrar as muitas marés cheias do ecossistema de ciência e inovação que estamos já hoje, e sempre, a criar em conjunto”, prometeu o presidente da AI2, no remate do seu discurso.

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