Nvidia cria grupo de empresas tecnológicas para pôr robôs humanóides a trabalhar a sério

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A inteligência artificial já escreve poemas, resume relatórios e responde a perguntas em segundos. E está a deixar os ecrãs para controlar robôs. É aí que a Nvidia quer chegar mais depressa. A tecnológica norte-americana anunciou uma nova colecção de ferramentas de código aberto pensadas para acelerar o desenvolvimento da chamada “IA física” — a inteligência artificial aplicada a robôs capazes de interagir com o mundo real. A gigante da inteligência artificial (IA) garante que vai dar aos engenheiros módulos prontos a usar, para que não tenham de começar do zero sempre que querem ensinar uma máquina a andar, agarrar objectos, evitar obstáculos ou tomar decisões em tempo real.

Para mostrar até onde pode ir esta visão, a Nvidia juntou-se à fabricante chinesa Unitree e à Sharpa, empresa de Singapura especializada em mãos robóticas. O objectivo é criar um humanóide com capacidade para executar trabalho físico de forma autónoma — não apenas uma demonstração de palco, mas uma máquina com potencial para desempenhar tarefas úteis em ambientes industriais, logísticos ou perigosos para humanos.

Jensen Huang, director executivo da Nvidia, descreveu o anúncio como um “passo significativo” rumo a robôs capazes de realizar trabalho real. A ambição assumida é tirar os robôs humanóides do imaginário da ficção científica e aproximá-los da rotina das empresas.

O protótipo combina o corpo do robô H2 Plus, da Unitree, com o novo processador Jetson AGX Thor T5000, baseado na arquitectura Blackwell da Nvidia. Traduzido para números, o sistema consegue processar dois mil biliões de operações por segundo. Traduzido para o mundo real, isto significa que o robô pode analisar o ambiente à sua volta, tomar decisões lógicas, desviar-se de obstáculos e ajustar os movimentos quase instantaneamente, sem depender de comandos remotos a cada passo.

Mãos com tacto quase humano

Mas um robô com um cérebro poderoso continua a ser pouco útil se tiver mãos desajeitadas. É aqui que entra a Sharpa, responsável por equipar o humanóide com mãos robóticas de alta precisão. O sistema tem 75 graus de liberdade — uma forma técnica de medir a amplitude e a variedade dos movimentos possíveis nas articulações — e aposta sobretudo em sensores tácteis muito sensíveis.

Cada dedo consegue detectar pressões mínimas, a partir de apenas 0,02 newtons. Na prática, isto permite ao robô perceber o que está a tocar e ajustar a força em conformidade: segurar um copo de plástico sem o esmagar, manipular uma peça frágil sem a partir ou agarrar uma ferramenta pesada sem a deixar cair.

É esta combinação entre processamento poderoso, autonomia e tacto que a Nvidia, a Unitree e a Sharpa apresentam como um avanço decisivo para a robótica humanóide. A médio prazo, as três empresas acreditam que máquinas deste tipo poderão assumir tarefas repetitivas, fisicamente exigentes ou perigosas, sobretudo na logística, na indústria pesada e em ambientes onde a presença humana implica maior risco.

Ainda falta perceber quando é que estes robôs deixarão de ser protótipos sofisticados para se tornarem trabalhadores regulares. Mas, depois de aprenderem a falar, escrever e programar, as máquinas querem agora aprender a trabalhar com as mãos.

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