O Morgado do Quintão e a essência dos vinhos do Algarve

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Houve um tempo em que os vinhos do Algarve eram sobretudo tintos, moldados pelo frescor, a intensidade fina e o sabor a frutos vermelhos da casta Negra Mole. E, ao contrário daquilo que os últimos tempos deixaram parecer, o Algarve sempre foi terra de vinhos. Mas a partir de meados do século passado a agricultura foi sendo substituída como actividade dominante pela indústria das conservas, a diversidade de cultivos pela monocultura de citrinos, até que o florescer do turismo e a consequente explosão urbanística praticamente dizimaram toda a área de vinha.

Após décadas de hibernação, a vinha e o vinho estão de volta à região, com novos produtores, muitos deles estrangeiros e adoptando as castas do mundo, mas também locais e nacionais, como é o caso dos grupos Aveleda ou Santos Lima. E com uma dinâmica tão interessante que faz com que a procura de vinhos locais depressa esgote toda a produção, e com um preço médio por garrafa que, com excepção dos Açores, supera já todas as outras regiões do país.

É neste contexto que se destaca o Morgado do Quintão, uma propriedade com mais de dois séculos que, quase no centro do furacão urbanístico, em Lagoa, conseguiu congelar o tempo, mantendo intactas casas e vinhas desse Algarve de outrora. Além dos vinhos, oferece num contexto elegante e artístico alojamento e outras experiências, que podem ir do simples passeio pelas vinhas, a provas, degustações e até uma refeição na mesa dos agricultores. A não perder.

Também na vinha, hoje com mais de 20 hectares, se preservaram plantações antigas das castas tradicionais Negra Mole, com mais de 40 anos, e Crato Branco (a síria da Beira Interior), acima dos 80 anos. Com foco no método orgânico de viticultura e cuidado enológico de Mariana Salvador, o portfólio inclui vinhos como o Clarete, e também o Palhete, que remetem para esse contexto histórico dos vinhos do Algarve.

Com pisa em lagar tradicional, maceração pré-fermentativa e nove meses de estágio em cuba, é um tinto que emula todas as virtudes de frescura, sabor e delicadeza da Negra Mole. Aberto de cor, leve e elegante, mas também fino, com equilíbrio ácido, sabor fresco a frutos vermelhos e forte aptidão gastronómica ajustada aos sabores algarvios. Puro prazer!

Nome Morgado do Quintão Clarete 2024

Produtor Morgado do Quintão;

Castas Negra Mole

Região Algarve

Grau alcoólico 12,5%

Preço (euros) 17,30 (morgadodoquintão.pt)

Pontuação 91

Autor José Augusto Moreira

Notas de prova Com pisa em lagar tradicional, maceração pré-fermentativa e nove meses de estágio em cuba, é um tinto que emula todas as virtudes de frescura, sabor e delicadeza da Negra Mole. Aberto de cor, leve e elegante, mas também fino, com equilíbrio ácido, sabor fresco a frutos vermelhos e forte aptidão gastronómica ajustada aos sabores algarvios.

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