Pedro Sampaio leva o funk brasileiro ao Rock in Rio Lisboa e recebe tripla platina

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O DJ Pedro Sampaio, que virou um fenômeno musical com o hit Cavalinho, com uma coreografia que costuma levar os fãs à loucura, foi um dos destaques brasileiros no primeiro dia do Rock in Rio Lisboa, neste sábado (20), no Parque Tejo. Para a apresentação, ele distribuiu leques, uma de suas marcas, e coordenou o balanço de aproximadamente 100 mil pessoas no Palco Mundo. Durante o show, ainda teve aparição surpresa de MC Melody, um dos nomes mais relevantes do funk brasileiro.

Pedro Sampaio reuniu mais de 100 mil pessoas no Rock in Rio Lisboa
Divulgação/Rock in Rio

Pouco antes de subir, pela primeira vez, ao Palco Mundo, Pedro Sampaio recebeu o disco triplo de platina por Jetski — a faixa com Melody e MC Meno K que se tornou a música do verão brasileiro e furou a bolha nacional, chegando ao topo das paradas e aos festivais da Europa e da América Latina. Diante de jornalistas brasileiros e portugueses, o DJ e produtor carioca falou de funk, de pertencimento e do que significa ocupar o maior palco de um dos maiores festivais do mundo.

Ele foi um dos artistas brasileiros que se apresentaram no dia de abertura da 11.ª edição do festival, dedicado ao pop, no Parque Tejo, em Lisboa. Também teve Alok e Joyce Alane. Pedro subiu ao palco logo após os Calema e antes de Charlie Puth e Katy Perry — uma vitrine que, para um artista de funk, carrega significado para além da música.

Funk como bandeira

Ao PÚBLICO Brasil, o artista respondeu sobre o preconceito que o funk ainda enfrenta em território nacional, e qual a sensação que tem quando lota um palco internacional. “Olha, quando você fala, eu fico arrepiado sobre essa coisa do funk, porque de fato o funk é um ritmo brasileiro que enfrenta suas dificuldades no Brasil, só que também, ao mesmo tempo, ganha um espaço internacional a cada dia que passa”, afirmou. “Eu hoje estou vivendo um momento de expansão da minha carreira. Estou sendo convidado para músicas, convidado para festivais fora do Brasil, por ser brasileiro, pelo ritmo do funk. Enfim, eu me sinto abraçado por onde eu passo.”

O DJ também fez questão de situar a própria trajetória dentro de um esforço coletivo. “Na verdade, eu faço parte de um movimento. A Anitta, a Luísa, a Pabllo, a Ludmilla, elas vêm fazendo isso, então eu sinto que sou mais uma peça que se soma a esse time incrível de artistas pop, de artistas brasileiros que estão fazendo esse movimento”, disse. “Tem uma diferença pelo fato de eu ser DJ, então eu consigo me adaptar e mesclar mais outros ritmos ao funk. Eu já percebo que essa movimentação acontece há um tempo com elas, e agora eu estou nesse lugar de fazer isso também, de somar nesse time.”

O DJ brasileiro Pedro Sampaio recebeu a tripla platina antes de subir ao palco no Rock in Rio
Isa Viriato

Sobre o golfinho e a faixa que o consagrou neste verão, Pedro emendou produção e estratégia numa única resposta. “Sobre o golfinho, Jetski foi a música do verão no Brasil. E se expandiu para Portugal, se expandiu para a América Latina, para a Europa. Foi uma música muito grande”, contou. “E eu acho que é uma música muito interessante, pela elaboração dos artistas, pelo jeito que ela foi criada. E, de fato, o golfinho é um símbolo dessa música, que representa e tem suas peculiaridades dentro da produção.”

Foi essa fala que abriu espaço para ele reafirmar a identidade de produtor. “Eu atuo sempre, em 100% das minhas músicas, principalmente como produtor. Então, além de cantar, eu também produzo. Tem músicas, por exemplo, que eu nem canto e só produzo”, explicou. “E eu vou usando essa versatilidade para encantar e criar cada vez mais músicas hits, sucessos, para levar o nome do Brasil para fora dele.”

Realização de um sonho

Não é a primeira vez de Pedro Sampaio no festival. Na edição anterior, ele havia se apresentado em um palco secundário, onde, segundo conta, bateu recorde de público. Agora, a chegada ao Palco Mundo soa como um marco. “Ter o espaço aqui no Rock in Rio Lisboa, no Palco Mundo, é como se eu fosse uma criança realizando um sonho”, afirmou. “Acho que, por conta do amor, do carinho, do respeito que o público de Portugal tem comigo, hoje a gente está ocupando esse lugar. E com a música brasileira, com o funk. É uma gratidão muito grande.”

Esse vínculo com o público português — central para a comunidade brasileira que vive em Portugal, uma das maiores entre os estrangeiros residentes no país — apareceu de forma recorrente na conversa. Pedro vê uma diferença na recepção. “Ambos os públicos são muito quentes, fervorosos, entram na dança. Mas, pelo fato de eu não estar sempre em Portugal, sou recebido com mais calor”, disse. “O público português sente a minha distância por eu morar no Brasil. E isso me seduz. Eu quero vir para cá mais vezes.”

Ponte entre culturas

Produtor antes mesmo de cantor — atua, segundo ele, em 100% das próprias músicas, e em algumas apenas como produtor —, Pedro se descreve como um articulador de ritmos. “Enquanto produtor, eu sempre me sinto uma ponte entre culturas”, afirmou. “Quando faço uma parceria, quero pegar a cultura do outro, misturar com a minha e criar uma música que exalte as duas.”

A presença portuguesa não passou batida. Questionado durante a coletiva de imprensa sobre uma possível parceria local, citou os Calema — que abriram o Palco Mundo antes dele — e Plutónio. “Os Calema são uma dupla por quem me encantei, são um fenômeno, têm uma história incrível no país. E o Plutónio vive um momento especial, tem tudo a ver com a música urbana, que também é minha. Tomara que role alguma coisa.”

“Vai dar Brasil”

Durante a apresentação, Pedro transformou a plateia em parte do espetáculo. Distribuiu de mais de 10 mil leques de LED durante a troca de palco com os Calema — uma resposta ao calor previsto para o fim de semana lisboeta, mas também um recurso cênico. “Os leques servem para afastar o calor e para tornar o espetáculo não só em cima do palco, mas na parte do público também.”

Sobre o legado que deseja deixar para o futuro, mencionou “Cavalinho” como a faixa que talvez resista ao tempo, menos pela música em si e mais pela coreografia que arrasta multidões. “Toquei em festivais no México em que as pessoas nem sabiam o que dizia a música, mas aprenderam a fazer o movimento. Isso é maior do que a própria música. Vira um movimento.”

O artista conclui a coletiva com bom humor. Perguntado se a noite seria de Brasil ou de Portugal, não titubeou: “Vai dar Brasil, gente. Eu sou brasileiro.” E, diante da provocação sobre o que aconteceria caso não desse, completou, entre risos: “Portugal!”

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