Primeiro, Seguro falou para os jovens e, depois, os jovens falaram para Seguro

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Depois da solenidade da manhã, em que, num Parlamento pintado de cravos, deixou alertas aos jovens e pediu transparência no financiamento dos partidos, António José Seguro dividiu a tarde do seu primeiro 25 de Abril enquanto Presidente da República entre música, poesia e debate. Juntou um grupo de 25 jovens com quem renovou o compromisso de fazer uma “coligação”.

Neste sábado, as portas do Palácio de Belém abriram-se para receber quase duas mil pessoas que, de cravos na mão ou na lapela, pintaram os jardins de vermelho. Debaixo de sol quente, muitos esperaram mais de uma hora na fila para entrar na residência oficial do Presidente da República onde, neste 25 de Abril, se esperavam concertos e performances.

A abrir as celebrações, Paulo de Carvalho e o filho, Agir, subiram a palco para cantar a Revolução. Como não podia deixar de ser, o alinhamento incluiu a música E Depois do Adeus, a senha inicial do 25 de Abril. Depois, neste sábado, como na madrugada de há 52 anos, cantou-se Grândola, Vila Morena. Seguiu-se uma performance poética de Alice Neto de Sousa, acompanhada por Giulia Gallina. Maria Caetano Vilalobos, Maze, Muleca XIII e Sir Scratch protagonizaram a actuação “Palavra Futuro” e Raquel Marinho, acompanhada ao piano por Filipe Raposo, interpretou o recital “o poema ensina a cair na liberdade”.

Ao longo de toda a tarde, António José Seguro, sempre de cravo na lapela, acompanhado pela mulher, Margarida Maldonado Freitas, vestida de vermelho vivo, estiveram nos jardins, a distribuir cumprimentos e a tirar fotografias. Noutro espaço, o Presidente da República recebeu em audiência Rui Coimbras, presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral. O encontro serviu para Rui Coimbras mostrar a Seguro um equipamento que permite a pessoas com deficiência votar autonomamente.

Seguro quer “coligação com os jovens”

E se começou o primeiro 25 de Abril enquanto Presidente a falar para os jovens, avisando que a liberdade não pode ser tratada “como garantida”, António José Seguro terminou o dia a ouvi-los. No último ponto de um programa extenso, o chefe de Estado quis “falar muito pouco” e “ouvir” os 25 jovens que convidou para um debate nos jardins.

Os jovens eram os mesmos com quem, no dia da sua tomada de posse enquanto Presidente da República, teve um debate no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP).

Nesse dia, dizia querer uma “coligação” com a juventude e, neste sábado, insistiu na ideia. “Corresponde à minha ambição e também à prioridade deste mandato, fazer uma grande coligação com os jovens portugueses”, sublinhou, numa curta intervenção, antes de ouvir as preocupações e os desafios lançados pelos mais novos.

Em intervenções com cerca de três minutos, os jovens — médicos, professores, estudantes, vindos de Bragança, do Fundão ou do Algarve foram diagnosticando os problemas do país, fazendo críticas, deixando apelos, apontando caminhos.

Da necessidade de descentralização e de combater as assimetrias territoriais à falta de literacia histórica e política da juventude, passando pela defesa da reforma do sistema eleitoral, foram vários os temas trazidos pelos convidados presidenciais. E sem esquecer os perigos que enfrenta a democracia, nomeadamente a desinformação ou a desconfiança que uma parte da população sente nas instituições. Houve ainda quem dedicasse o discurso aos crimes contra mulheres ou à importância de aprofundar a integração europeia. De resto, o chefe de Estado ouviu um reparo: não há ninguém com menos de 35 anos no novo Conselho de Estado.

Escutados os 25 jovens, António José Seguro dirigiu-se às dezenas de pessoas que assistiam à conversa para perguntar se “confirmam ou desmentem” que é um “mito” que a juventude não se interessa pelo futuro do país e não tem ideias. E a assistência confirmou o que as intervenções já tinham mostrado.

Por querer ouvir e não falar, o Presidente da República não respondeu às intervenções, defendendo que o seu papel é dar à juventude o “espaço” necessário. “Darei voz às vossas propostas”, “ideias” e “à vossa generosidade”, prometeu, assinalando que, por trás das propostas trazidas pelos jovens, se viram “valores” e “princípios”.

E renovou um apelo que já tinha feito: “Mudem a política para mudar o país”. “Entrem na política”, continuou, apontando que é preciso “voltar a sonhar”. “Conto convosco”, frisou. E, respondendo ao desafio de um dos jovens, que tinha sugerido um novo encontro para daqui a um ano, rematou: “Um ano é tarde demais, tem de ser antes.”

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