Santos Populares: a maior celebração da alegria lisboeta

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Há muitas formas de se apaixonar por Lisboa. Pode-se admirar a luz única que ilumina a cidade, percorrer os seus miradouros ou perder-se pelas suas ruas históricas. Mas quem quiser compreender verdadeiramente a alma lisboeta precisa viver os Santos Populares.

Para mim, esta é, sem dúvida, a melhor época do ano em Lisboa. Não apenas porque anuncia a chegada do verão, mas porque transforma a cidade numa gigantesca celebração coletiva, talvez a maior manifestação de alegria dos lisboetas. Durante semanas, as ruas deixam de ser apenas espaços de passagem para se tornarem pontos de encontro, convívio e festa.

É uma diversão observar a cidade tomada por pessoas de todas as idades. Famílias, grupos de amigos, turistas e moradores misturam-se num ambiente de total descontração. E o mais impressionante é que, apesar das multidões que enchem bairros como Alfama, Graça, Mouraria ou Bica, prevalece a sensação de tranquilidade. A confusão de gente é feliz, orientada pela disposição de quem está ali apenas para celebrar.

Como brasileira, é inevitável comparar os Santos Populares às festas juninas. Mas, enquanto no Brasil as barracas são dominadas por doces, bolos, canjicas e outras guloseimas típicas, em Lisboa, a verdadeira rainha da festa é a sardinha no pão. Entre os portugueses é quase uma unanimidade.

Ao redor das sardinhas, multiplicam-se barracas com carnes grelhadas preparadas na hora, imperiais — o equivalente ao nosso chope —, sangrias e os mais variados shots que ajudam a prolongar a animação. Tudo espalhado pelos bairros, que ganham decoração colorida, com fitas, arcos, bandeirinhas e luzes. A gente se anima só de olhar.

E, claro, não há Santos Populares sem música pimba. Para um brasileiro, a comparação mais próxima talvez seja o nosso brega: músicas simples, populares, divertidas e cantadas por multidões. É a trilha sonora perfeita para os arraiais, onde sucessos de Quim Barreiros, Toy e tantos outros fazem parte do ritual.

Trocadilhos marotos, repletos de sacanagens que até soam inocentes, e com refrões que toda a gente sabe de cor. Impossível não cantar, dançar e rir. É música para unir as pessoas e já transformada em patrimônio afetivo nacional.

Outro destaque da festa são as Marchas Populares, um desfile na Avenida da Liberdade que lembra o Carnaval. Os bairros preparam-se durante meses, e as performances são avaliadas por critérios como figurino, coreografia, cenografia… Uma competição saudável que reforça o orgulho de cada bairro.

Num tempo em que tantas cidades parecem perder os seus espaços de convivência e as suas tradições, os Santos Populares continuam a provar que Lisboa sabe celebrar a sua identidade. Um mês inteiro em que as ruas tornam-se uma extensão da casa de todos. Lisboa nos lembra que a felicidade pode ser tão simples quanto uma sardinha no pão, uma imperial bem tirada e uma canção pimba cantada em coro.

Viva os Santos Populares!

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