O recuo de Donald Trump relativamente ao seu plano para ajudar os navios comerciais a passarem o estreito de Ormuz, o “Projecto Liberdade”, que não durou mais de dois dias, deveu-se à pressão da Arábia Saudita, o mais influente Estado do Golfo e um importante aliado dos Estados Unidos.
A missão norte-americana para guiar a passagem de navios no estreito bloqueado pelos iranianos desde o início da guerra, anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos no domingo, apanhou os sauditas de surpresa, noticiou a NBC News esta quinta-feira.
Em reacção à operação, que foi vista como uma ameaça ao cessar-fogo e a uma solução diplomática para o conflito com o Irão, a Arábia Saudita proibiu as aeronaves norte-americanas de levantarem voo a partir da Base Aérea Prince Sultan, a sudeste de Riad, e de atravessarem o espaço aéreo saudita para apoiar a operação, disseram dois responsáveis norte-americanos à estação televisiva.
Nem uma chamada telefónica entre Donald Trump e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman foi capaz de resolver o imbróglio, o que obrigou os EUA a anunciarem a suspensão deste projecto vendido pela Casa Branca como uma “missão humanitária” de apoio aos milhares de marinheiros presos no Golfo Pérsico há mais de dois meses, mas que muitos observadores viram como uma forma de aliviar a pressão sobre os preços do petróleo.
As Forças Armadas norte-americanas estavam já a posicionar vários navios no Golfo para atravessarem o estreito quando a operação foi interrompida, alegadamente para que as forças dos EUA pudessem recuperar o acesso ao espaço aéreo saudita, considerado crítico para as operações no Médio Oriente. As Forças Armadas norte-americanas mantêm aviões de combate, aviões de reabastecimento e sistemas de defesa aérea na Base Aérea de Prince Sultan, na Arábia Saudita, mas o país também é sobrevoado por aeronaves norte-americanas estacionadas noutros países vizinhos.
Os norte-americanos estavam a contar com essa capacidade para acompanhar o percurso dos navios na sua passagem pelo estreito, funcionando como uma espécie de escudo defensivo. Sem as autorizações da Arábia Saudita, esse esforço seria impossível.
Uma fonte saudita disse à NBC que Trump e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman “têm mantido contacto regular” e que o reino é “muito favorável aos esforços diplomáticos” do Paquistão para intermediar um acordo entre o Irão e os EUA com o objectivo de pôr fim à guerra.
O Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou que dois navios com bandeira norte-americana conseguiram atravessar o estreito no âmbito do “Projecto Liberdade”, mas a maioria das empresas do sector demonstrou reticência em arriscar tripulações, cargas e navios.
Quando anunciou o fim do “Projecto Liberdade”, Donald Trump também reconheceu, na publicação na rede Truth Social, que o fazia “com base no pedido do Paquistão e de outros países”, mas não explicou quem.
Certo é que, em menos de 36 horas (as suficientes para que o Irão voltasse a bombardear, em jeito de aviso, os Emirados Árabes Unidos, aliados de Israel e dos EUA), esta missão chegou ao fim, embora Trump tenha afirmado que seria suspensa “por um curto período de tempo para verificar se” um acordo com o Irão para resolver a guerra poderia “ser finalizado e assinado”.
Até agora, não há sinal de que um hipotético acordo de paz esteja na iminência de ser assinado e o bloqueio no estreito de Ormuz (um problema que não existia antes de os EUA e Israel terem atacado o Irão, a 28 de Fevereiro, enquanto decorria um processo negocial sobre o programa nuclear iraniano) mantém-se e ameaça criar a maior crise energética de sempre, com potencial para gerar uma recessão global.
Por outro lado, o Irão já sinalizou que a situação nesta via marítima por onde passa habitualmente um quinto do petróleo e um quinto do gás natural liquefeito que abastecem os mercados mundiais (e em particular os asiáticos), não voltará ao que era antes.
Supõe-se que o trânsito pelo estreito vá passar a ser taxado, como acontece com os canais do Suez ou do Panamá, o que será, na prática, mais um custo da cadeia de abastecimento e irá, no fim da linha, encarecer os produtos energéticos para famílias e empresas em todo o mundo.
Os países do Golfo são fundamentais para o sucesso das operações norte-americanas na região – a Arábia Saudita e a Jordânia são cruciais para permitir o destacamento de aeronaves, o Kuwait é fundamental para os sobrevoos e Omã é importante tanto para os sobrevoos como para a logística naval, explicaram as fontes ouvidas pela NBC –, mas são também dos que mais estão a perder com os efeitos da guerra e, por isso, dos mais empenhados numa solução diplomática que pacifique a região.
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