Sismo em Mindanau, nas Filipinas, matou 19 pessoas

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O sismo de magnitude 7,8 na escala de Richter que atingiu esta madrugada o Sul das Filipinas causou pelo menos 19 vítimas mortais, a maioria devido à queda de edifícios e ao deslizamento de terras.

O abalo atingiu a segunda maior ilha das Filipinas, Mindanau, e causou a morte de pelo menos sete pessoas e mais de 200 feridos na cidade de General Santos (situada a 13 quilómetros do epicentro), onde alguns edifícios ruíram e várias outras estruturas, incluindo uma ponte, ficaram danificadas, como descreveu um responsável da protecção civil à Associated Press.

General Santos, uma cidade portuária com mais de 700 mil habitantes, é o principal centro de exportação de atum das Filipinas.

Outras nove pessoas morreram, maioritariamente devido à queda de escombros, ao colapso de uma mesquita e a um deslizamento de terras nas províncias meridionais de Cotabato e Davau, e na ilha de Balut (no arquipélago de Mindanau).

O abalo, que foi registado às 7h37 hora local (23h37 em Portugal) deu-se na zona mais sísmica das Filipinas, que, tal como a Indonésia, se situa geograficamente no chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma área em forma de ferradura de cerca de 40 mil quilómetros de grande actividade geológica na bacia deste oceano.

A maioria dos abalos não tem grande consequência, mas, no ano passado, um sismo de intensidade 6,9 que atingiu a ilha de Cebu matou pelo menos 74 pessoas.

As províncias que foram afectadas esta madrugada estão voltadas para a Fossa de Cotabato, que é uma “estrutura geradora de sismos de grande importância”, de acordo com o Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia. A fossa é capaz de gerar sismos de pequena a grande magnitude.

Teresito Bacolcol, director do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia confirmou à Associated Press que este foi o sismo mais forte a atingir as Filipinas este ano e teve o epicentro no mar, ao largo de Mindanau. Ocorreu a uma profundidade de 33 quilómetros, a cerca de 32 quilómetros a sudoeste da localidade de Maasim, na província de Sarangani.

Segundo a BBC, o sismo, que também foi sentido na província indonésia de Sulawesi do Norte, a mais de 200 quilómetros do epicentro, coincidiu com a abertura do ano escolar nas Filipinas, levando ao encerramento das escolas nas províncias afectadas, por precaução. Muitos dos edifícios que colapsaram eram estabelecimentos comerciais, como lojas e restaurantes.

Logo após o sismo, o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico avisou para a possibilidade da ocorrência de ondas com até 3 metros em algumas zonas costeiras das Filipinas e ondas de até um metro em regiões da Indonésia e da Malásia, explicou o Guardian. Numa actualização posterior, o centro indicou que grande parte do perigo havia passado e os alertas de tsunami foram entretanto levantados.

O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., anunciou que os centros de evacuação estavam prontos e em funcionamento, enquanto as agências governamentais continuavam a avaliar os danos e a desobstruir as vias necessárias para as operações de resgate.

Além dos terramotos, as Filipinas são uma das regiões mais propensas a erupções vulcânicas e também são atingidas por várias tempestades tropicais e tufões todos os anos, perpetuando um ciclo de destruição e disrupção da vida das populações.

Mindanau é uma região particularmente pobre e vulnerável, tendo sido palco de um conflito histórico entre o governo filipino e diversos grupos insurgentes muçulmanos.

Em 2012, graças a complexas negociações mediadas pela Malásia, as autoridades filipinas chegaram a acordo com o grupo rebelde Frente Moro de Libertação Islâmica (MILF) para a criação em Mindanau da região autónoma de Bangsamoro, onde vive a maioria da comunidade muçulmana das Filipinas.

Esse acordo de pacificação não impediu que alguns anos mais tarde a ilha se tornasse vítima da violência jihadista. Mindanau foi palco de operações de grupos extremistas inspirados no Daesh (o autoproclamado Estado Islâmico), que em 2017 chegou a tomar a cidade de Marawi, obrigando os seus 360 mil habitantes a fugir e a refugiarem-se em campos de acolhimento até à cidade ser libertada por forças governamentais.

Embora estejam muito fragmentados, os grupos extremistas continuam a actuar na região.

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