Tim Payne ia entrar no Mundial quase anónimo, mas um influencer argentino mudou tudo

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Faltavam apenas alguns dias para o arranque do Mundial 2026, quando Tim Payne, defesa da Nova Zelândia e jogador dos Wellington Phoenix, começou a ver os seguidores das suas redes sociais a aumentar astronomicamente depois de uma iniciativa inesperada de um influencer argentino.

A 26 de Maio, o internacional neozelandês tinha menos de cinco mil seguidores no Instagram. Hoje, soma 5,8 milhões. Tudo começou com Valen Scarsini, conhecido nas redes sociais como “elscarso”, que decidiu encontrar o jogador menos conhecido entre todas as selecções apuradas para o Campeonato do Mundo. Depois de analisar os vários plantéis, chegou ao nome de Tim Payne e lançou um desafio aos seus seguidores: “E se arranjássemos um jogador que nos une a todos? Que todos gostemos independentemente da nossa nacionalidade. Vamos fazer isso com o jogador menos conhecido.” O escolhido acabou por ser o neozelandês, cujas publicações rondavam os 200 gostos.

Os vídeos de Scarsini, publicados no TikTok e Instagram, acumularam milhões de visualizações. Desde então, o argentino tem documentado a ascensão de Payne à fama. Insta os seus seguidores a comentarem as publicações do jogador, a criarem conteúdos sobre ele e festeja marcos como a chegada de Payne aos dois milhões de seguidores. O próprio Payne acabou por agradecer o apoio ao inflluencer e, no estágio da selecção, gravou um vídeo dirigido aos novos seguidores a falar em inglês, mas também em espanhol (que está a aprender com ajuda do Duolingo).

A campanha acabou por ultrapassar as próprias redes sociais. O nome do defesa começou a aparecer em contas oficiais relacionadas com o Mundial, em meios de comunicação de vários países e até em conteúdos produzidos pela federação neozelandesa, pela liga australiana e pelo Wellington Phoenix.

Para se perceber a dimensão do fenómeno, há actualmente vários jogadores da selecção portuguesa com menos seguidores do que Tim Payne. Vitinha, médio do Paris Saint-Germain e bicampeão europeu pelo clube francês, tem 5,1 milhões de seguidores no Instagram. João Neves soma 2,9 milhões. Claro que Payne continua muito longe dos 666 milhões de Cristiano Ronaldo, mas já ultrapassou os cerca de 62 mil seguidores da própria selecção da Nova Zelândia e até a população do país, que ronda os 5,3 milhões de habitantes.

Esta não foi, aliás, a primeira vez que Valen Scarsini conseguiu provocar um fenómeno semelhante. Como conta a BBC, o argentino já tinha promovido anteriormente o FC Balzers, da Suíça, que considerava ter uma das menores bases de adeptos do futebol europeu. Mais recentemente, também contribuiu para aumentar a popularidade do Sunderland junto do público mexicano.

Aos 32 anos, Payne vai disputar o terceiro Mundial da história da Nova Zelândia. Como refere a BBC, os “All Whites” nunca venceram qualquer encontro numa fase final do Campeonato do Mundo e procuram alcançar um feito inédito. O defesa teve um papel importante na qualificação, contribuindo com um golo e quatro assistências. Nesta terça-feira, a selecção empatou 2-2 contra o Irão.

O percurso de Tim Payne também está longe de ser o de uma estrela tradicional. Ainda adolescente, assinou pelos ingleses do Blackburn Rovers, experiência que lhe permitiu passar pelo futebol europeu antes de regressar à Oceânia. Actualmente representa os Wellington Phoenix, um dos principais clubes da liga australiana.

O caso de Tim Payne ilustra o impacto que as redes sociais podem ter na criação de fenómenos mediáticos, mesmo sem golos decisivos ou grandes momentos em campo. No entanto, o decorrer dos jogos do torneio já geraram um novo protagonista.

Recentemente, Payne acabou por ser ultrapassado por Josimar Dias, mais conhecido como Vozinha. O guarda-redes de Cabo Verde tornou-se viral após a exibição frente à Espanha no primeiro jogo do Mundial e passou dos cerca de 50 mil seguidores para mais de seis milhões em poucas horas.

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