A supermodelo Tyra Banks está a processar a Netflix por difamação, a propósito do documentário sobre o programa America’s Next Top Model, um concurso de televisão para jovens modelos que foi um êxito nos anos 2000. A norte-americana queixa-se que as suas declarações foram editadas para veicular uma “narrativa falsa” e pede uma indemnização que o tribunal considere “apropriada” aos prejuízos que tem sofrido desde a estreia da série documental em Fevereiro passado.
Banks quer mesmo que o caso vá a julgamento, de acordo com os documentos legais entregues em tribunal no sábado, 13 de Junho, e consultados pela revista People. “Tyra Banks participou na série documental da Netflix America’s Next Top Model porque acreditava que os espectadores mereciam uma conversa franca sobre o legado do programa — os seus sucessos e as suas falhas”, lê-se no processo judicial. “Há aspectos do programa pelos quais a Sra. Banks assume a responsabilidade e queria que os espectadores do ANTM ouvissem isso directamente dela.”
Aliás, continua a equipa legal de Tyra Banks, a apresentadora “não limitou” os tópicos da entrevista e deu total liberdade ao jornalista que conduzia a conversa. “Durante uma entrevista de três horas e meia, a Sra. Banks respondeu a perguntas sobre a história pioneira do programa, incluindo críticas a decisões que hoje abordaria de forma diferente”, acrescenta.
E insiste: “Os espectadores de um documentário não esperam drama forçado nem narrativas artificiais. Esperam factos. Como lhes foi prometido um documentário, foi exactamente assim que os espectadores interagiram com a série da Netflix.”
Mas apenas 16 minutos das declarações de Tyra Banks foram usados ao longo dos três episódios. Mais: a supermodelo diz que os excertos escolhidos na edição foram “tirados do contexto” para “apoiar uma narrativa falsa e difamatória que nada tem a ver com o que realmente disse”, tendo como consequências danos de reputação e perda de trabalhos nos últimos meses.
Há um episódio em particular de que Banks se queixa. Uma das concorrentes da segunda temporada do reality show, Shandi Sullivan, conta ter sofrido uma agressão sexual quando estavam a filmar um dos episódios em Itália. A jovem, que estava alcoolizada, diz não se recordar de ter tido relações sexuais com outro modelo, mas o momento foi filmado para o programa, tendo a produção descrito o episódio como uma traição, por que Shandi tinha namorado, e não como uma violação.
Tyra Banks diz que a forma como foram editados os seus comentários sobre a situação fez parecer que “permitiu que uma concorrente fosse vítima de abuso sexual no seu programa, explorou o trauma dessa concorrente para aumentar a audiência e, depois, nem sequer se lembrava do que tinha acontecido quando lhe perguntaram”, o que garante não ser verdade.
As concorrentes do programa que participaram no documentário ainda não reagiram ao processo legal, nem a Netflix comentou as notícias dos últimos dias.
Banks, que fez carreira enquanto anjo da Victoria’s Secret, foi a apresentadora de America’s Next Top Model durante 22 anos temporadas entre 2003 e 2015, mas o formato, que elegia a próxima grande modelo, entretanto caiu em declínio, enfrentando críticas de perpetuar os padrões de beleza inalcançáveis, de incentivar distúrbios alimentares e encobrir agressões sexuais.
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