Amazon revela consumo de água dos seus centros de dados pela primeira vez

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A Amazon revelou, pela primeira vez, que as operações globais dos seus centros de dados gastaram quase 9,5 mil milhões de litros de água em 2025. A empresa afirmou, numa publicação no seu blogue, feita nesta quinta-feira, 11 de Junho, que o consumo de água nas instalações que possui e opera directamente diminuiu 2% em comparação com o ano de 2024, apesar da expansão da sua rede de centros de dados.

A divulgação foi feita um dia depois de ter sido anunciado que Seattle, onde a tecnológica está sediada, aprovou uma moratória de um ano sobre a construção de novos centros de dados, impulsionada, inclusive, por grupos de trabalhadores activistas da própria empresa.

Não há dados públicos actualizados sobre o número actual de centros de dados da empresa, mas documentos confidenciais a que a SourceMaterial teve acesso mostraram que, em 2023, a Amazon utilizava 924 instalações em mais de 50 países, tendo ainda muitas outras em fase de desenvolvimento.

O consumo “mais eficaz” da indústria

A água é necessária para arrefecer os servidores dos grandes centros de dados. A Amazon refere que a eficiência do uso de água nos seus centros de dados globais, medida pela métrica WUE (Water Usage Effectiveness), atingiu os 0,12 litros por kWh — um valor que, segundo a empresa, é cerca de sete vezes mais eficiente do que a média da indústria.​

No mesmo comunicado, a tecnológica sustenta que apresenta melhores resultados do que concorrentes como a Microsoft, a Google e a Meta. Os dados divulgados, baseados em relatórios de sustentabilidade, documentação oficial das empresas e estudos sobre o impacto ambiental da inteligência artificial, indicam que a Google seria a maior consumidora de água entre as empresas; no entanto, segundo o The Verge, a comparação baseia-se em dados incompletos, uma vez que os valores da Google parecem referir-se apenas ao uso associado ao seu modelo de IA Gemini, enquanto a Amazon reporta o consumo total das suas operações de centros de dados.

Importa ainda referir que os dados da Amazon dizem respeito apenas ao consumo directo de água nos seus centros de dados. Não incluem o uso indirecto, como a água consumida na produção de electricidade pelas centrais energéticas, nem a água associada à construção de novas infra-estruturas.

Estratégia “water positive”

A Amazon afirma que, durante a maior parte do tempo, os seus servidores são arrefecidos apenas com a circulação de ar, sendo o sistema de evaporação de água reservado exclusivamente para os dias e horas de maior calor. A empresa diz ainda ter aumentado a tolerância térmica dos seus servidores, permitindo que operem de forma estável a temperaturas mais elevadas, reduzindo assim a necessidade de arrefecimento com água. Segundo a tecnológica, estas medidas — juntamente com outros ajustamentos operacionais, como o facto de alguns dos centros de dados utilizarem águas residuais tratadas em vez de água potável — explicam a melhoria na eficiência hídrica.

A empresa declarou estar a cerca de 75% do objectivo de se tornar “water positive” até 2030. Nessa altura, o objectivo é devolver mais água às comunidades do que aquela que é consumida. Em 2025, a Amazon diz ter devolvido cerca de 3 galões (cerca de 11 litros de água) por cada 4 (cerca de 15 litros) utilizados nas suas operações. Além disso, a empresa refere ter mais de 50 projectos activos de reposição de água, com potencial para devolver mais de 5,8 mil milhões de galões de água por ano quando estiverem totalmente implementados.

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