Carlos vai em missão aos EUA para reforçar a relação especial com o monárquico Trump

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O rei Carlos III ruma aos EUA na próxima semana para aquela que é, até à data, a viagem de maior destaque do seu reinado. A missão tem em vista o reforço futuro da “relação especial” entre os dois aliados, que a guerra com o Irão tem fragilizado nos últimos meses.

A visita de Estado marca o 250.º aniversário da declaração de independência dos EUA do domínio britânico, quando as então 13 colónias americanas decidiram separar-se do reino de Jorge III (1738-1820), tetravô de Carlos.

Para o monarca britânico, será um momento para reflectir sobre como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos se uniram desde então para forjar alguns dos laços de segurança, militares e económicos mais estreitos do mundo, enquanto para o Presidente dos EUA, Donald Trump, será mais uma oportunidade para satisfazer o seu amor pela realeza britânica, como o próprio já assumiu.

Mas a visita surge num contexto de fragilidade nas relações entre os dois países, apenas comparável à Crise do Suez, em 1956, com críticas repetidas de Trump ao primeiro-ministro inglês, Keir Starmer, pela sua recusa em juntar-se ao ataque ao Irão, tecendo comentários desdenhosos sobre as capacidades militares da Grã-Bretanha.

O antigo embaixador britânico em Washington, Nigel Sheinwald, acredita que a visita não poderia, nem foi concebida para sanar qualquer atrito actual entre os governos. “Muito mais do que qualquer outra visita, esta tem a ver com o longo prazo. Tem a ver com os fundamentos da relação entre os dois povos”, diz o diplomata, que esteve nos EUA entre de 2007 a 2012.

Carlos, acompanhado pela mulher, Camila, dará início à viagem de quatro dias na segunda-feira com um chá privado com Trump, antes de discursar no Congresso, participar num jantar de Estado e visitar Nova Iorque e a Virgínia.

Apesar da pressão mediática, o Palácio de Buckingham já fez saber que o rei não se encontrará com nenhuma das sobreviventes dos abusos de Jeffrey Epstein (1953-2019). O irmão de Carlos, Andrew Mountbatten-Windsor foi detido em Fevereiro sob suspeita de ter divulgado documentos de Estado ao agressor sexual norte-americano. O ex-príncipe André nega qualquer irregularidade.

No Reino Unido, alguns políticos e comentadores têm defendido que a viagem aos EUA devia ter sido cancelada, tendo em conta as recentes declarações de Trump. Há também receio de que o imprevisível Presidente possa aproveitar a ocasião para proferir mais críticas e, potencialmente, envergonhar o rei.

Todavia, os correspondentes reais lembram que Trump chama o rei de “grande homem” e recordam como se comportou de forma impecável durante as suas duas visitas de Estado à Grã-Bretanha em 2019 e no Verão passado. “Ele é um grande monárquico”, argumenta o biógrafo Robert Hardman. “Ele tem… uma certa mentalidade no que diz respeito ao governo britânico, mas a monarquia britânica é um elemento completamente separado — é um grande fã. Adorava a falecida rainha, e é um grande fã do rei.”

Trump e Isabel II no Palácio de Buckingham em 2019
Victoria Jones/Pool via REUTERS

De volta a 1957

A viagem de Carlos quase reproduz aquela que a mãe, Isabel II (1926-2022), fez em 1957, um ano depois de a Crise de Suez ter causado agitação no Médio Oriente, com as tropas britânicas, francesas e israelitas a serem forçadas a pôr fim a uma invasão do Egipto após pressão dos Estados Unidos.

A sua visita conseguiu então conquistar o Presidente dos EUA, Dwight Eisenhower (1890-1969), e suavizar as relações entre os aliados. “O respeito que temos pela Grã-Bretanha resume-se ao carinho que nutrimos pela família real, que nos honrou tanto ao fazer esta visita”, afirmou Eisenhower.

A declaração é exemplo do chamado soft power (“poder suave”) que Carlos procurará novamente mobilizar, sendo ele próprio um especialista em diplomacia pela sua experiência de meio século enquanto príncipe de Gales.

Tal é o poder de influenciar o Presidente que Hardman crê que Trump possa ter recuado nos comentários, que fez sobre as tropas britânicas e outras da NATO permanecerem afastadas da linha da frente no Afeganistão, após receber mensagens privadas do rei a dizer-lhe que estava errado.

Na reunião privada entre os dois na Casa Branca, Carlos poderá novamente falar com franqueza, mas os diplomatas lembram, que o rei não estará lá para “criticar as políticas do Presidente Trump” — também Isabel II era conhecida pela sua neutralidade política.

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