A Colômbia é uma daquelas selecções em que tudo é possível antes de a bola começar a rolar. Há 22 anos, no primeiro Mundial realizado nos EUA, os “cafeteros” eram tidos um potencial campeão mundial (Pelé dizia que eles eram os favoritos), com uma equipa que tinha Higuita, Valderrama, Rincón e Asprilla – não passaram da fase de grupos. De volta aos EUA e de regresso a um Mundial após falhar o torneio de 2022, o terceiro adversário de Portugal no Grupo K (27 de Junho, Miami) não terá o peso de expectativas semelhantes, mas isso não quer dizer que não possa ir longe.
O vice-campeão da Copa América 2024 é uma equipa consolidada e está “obrigada” a ser uma selecção de ataque. Assim aprendeu Néstor Lorenzo, o seleccionador, que vai cumprir o seu primeiro Mundial na cadeira principal, mas esta será a sua quinta participação – esteve ao lado de Maradona no Itália 90 pela Argentina, e foi adjunto de José Pekerman na selecção argentina em 2006, e na Colômbia de 2014 e 2018. Terá como objectivo mínimo ultrapassar a fase de grupos e, depois, igualar ou superar os quartos-de-final de 2014.
Luis Díaz, que entrou no futebol europeu por via do FC Porto, estabeleceu-se nos últimos anos, no Liverpool e no Bayern Munique, como um dos melhores do mundo, um extremo com uma capacidade invulgar no um para um, controlo de bola em velocidade e remate potente e colocado. Ele chega ao Mundial em plena posse das suas capacidades depois da sua melhor época de sempre – 26 golos e 19 assistências pelo gigante bávaro.
Mas os olhos do mundo não estarão apenas em cima de Díaz. Também há uma enorme curiosidade para ver o que ainda pode fazer um James Rodríguez de 34 anos – fará 35 durante o Mundial. O também ex-FC Porto mostrou-se como um craque de classe mundial no Brasil 2014, onde foi o melhor marcador (seis golos) e onde a Colômbia chegou longe – quartos-de-final, eliminada pelo Brasil. Doze anos depois, James já não será o mesmo jogador e pouco jogou esta temporada na MLS, mas é o capitão e a bola vai passar muito por ele. Como diz o seleccionador Néstor Lorenzo, vai “correr menos e pensar mais”.
Para o jogo com Portugal, a Colômbia vai beneficiar do conhecimento que dois jogadores que jogam em Portugal, o benfiquista Richard Ríos e o sportinguista Luis Suárez têm do futebol nacional. Ríos, o homem que começou no futsal e aprendeu a jogar futebol no Brasil, é um elemento-chave no meio-campo dos “cafeteros” e chega ao Mundial em alta, depois de um bom final de temporada no Benfica.
Já Suárez, será o homem-golo da Colômbia, um papel que já foi desempenhado no passado por homens como Asprilla, Falcao ou Jackson. O avançado do Sporting teve uma brilhante primeira época em Portugal (38 golos) e esse rendimento elevou-lhe o estatuto entre os avançados colombianos, ele que chegou tarde à selecção – aos 28 anos, tem apenas 12 internacionalizações. Como jogador, os portugueses já o conhecem bem: combativo, explosivo e ambidestro na hora de rematar.
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