Em 2005, a Cinemateca Portuguesa dedicou uma retrospectiva integral à obra de François Truffaut (1932-1984). Vinte anos depois, irradiando a partir do Cinema Trindade no Porto para o Nimas em Lisboa, uma “quase integral” – faltam dois filmes – volta a trazer às salas portuguesas um nome que fazia os espectadores deslocarem-se (a um já desaparecido cinema Londres, em Lisboa, por exemplo) para verem o “novo filme de…”
Seria O Último Metro ou A Mulher do Lado, ou Finalmente Domingo! (e Truffaut morreu a um domingo…). Foram os títulos finais da sua obra, ele que cedo demais foi levado por um tumor no cérebro. Quando morreu, tinha contribuído para a indústria cinematográfica francesa com a “invenção” do filme de autor popular.
É (também) por isso que François Truffaut é hoje um nome razoavelmente esquecido pela cinefilia, que entretanto santificou o seu compagnon de route tornado irmão desavindo chamado Jean-Luc Godard? Um é o conservador, o outro o radical?
Numa primeira abordagem a – assim se chama o ciclo – Ao Sol da Nouvelle Vague (é todo o Truffaut, excepto A Noite Americana e Fahrenheit 451- Grau de Destruição, cujos direitos neste momento estão em transição), convidamos dois programadores: o “nosso” Luís Miguel Oliveira, da Cinemateca Portuguesa, e Francisco Valente, que também já foi nosso colaborador e colaborador da Cinemateca e que agora, em Nova Iorque, faz a curadoria da programação de cinema do Museum of Modern Art (MoMA).
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O Luís Miguel trabalha com vista para o cartaz de O Acossado (Godard). Francisco Valente tem na parede o poster do ciclo de Truffaut de 2005 na Cinemateca. Com eles debatemos o significado de Truffaut hoje e inevitavelmente a oposição – que sempre mostra o rosto – entre duas figuras tornadas ideias opostas de cinema, François e Jean-Luc. Começamos por aqui e vamos por aí…
No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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