Na conferência dos plebeus, reinou o favorito Crystal Palace

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O Crystal Palace conquistou a quinta edição da Liga Conferência, batendo o Rayo Vallecano por 1-0 na final de Leipzig, somando o terceiro grande troféu do seu historial, depois da Taça e da Supertaça de Inglaterra, para garantir o acesso directo à fase de liga da Liga Europa em 2026-27.

Uma final diferente do habitual, sem protagonistas de primeiro plano, sem sangue nobre. Uma final eminentemente “operária”, mas com a fibra indispensável para encher de orgulho os vencedores.

Para o Rayo Vallecano, que não conseguiu acompanhar o ritmo dos ingleses na segunda parte, fica a ressaca de uma campanha que faltou coroar com a primeira grande conquista do seu historial.

O Crystal Palace reunia favoritismo. Não só pela valia do plantel, avaliado em 320 milhões de euros (cinco vezes mais do que o do Rayo Vallecano), mas, essencialmente, pelos antecedentes: conquista da Taça e da Supertaça de Inglaterra ante Manchester City e Liverpool.

Um Crystal Palace que se despede do treinador austríaco Oliver Glasner, vencedor da Liga Europa em 2021-22 com o Eintracht de Frankfurt, frente aos escoceses do Rangers de Glasgow.

Rayo ainda ameaçou

Apesar disso, o Rayo Vallecano ignorou as tendências das casas de apostas e acreditou que podia fintar o destino. Os espanhóis foram, inclusive, os primeiros a ameaçar chegar ao golo, ainda numa primeira parte que teve três boas ocasiões, duas para a equipa Iñigo Pérez e a mais flagrante para os ingleses.

Apesar de disporem de Sarr, o melhor marcador da prova e autor do golo mais rápido da edição (21 segundos), os “eagles” só já no tempo de compensação estiveram perto de chegar à vantagem, num cabeceamento de Tyrick Mitchell, que saiu a rasar o poste da baliza de Augusto Batalla.

Batalha de estreantes aquece

A final entre dois estreantes, que, apesar de actuarem nas principais ligas de Inglaterra e Espanha, eram autênticos outsiders, só aqueceu no segundo tempo. Muito por culpa do Crystal Palace, que dominou o adversário e marcou por Mateta, logo aos 51 minutos, numa emenda do avançado francês após defesa incompleta de Batalla, a forte disparo de Adam Wharton. Os ingleses podiam, quase de pronto, ter dado uma machadada nas esperanças espanholas num livre de Yéremy Pino.

O extremo natural de Las Palmas, contratado pelos londrinos este ano ao Villarreal, atirou aos dois postes um lance anulado por intervenção de Riad (impedido) e que ainda teve novo ressalto no poste, a corte de um defesa.

O Rayo Vallecano caminhava no fio da navalha, aturdido e a precisar urgentemente de se recompor.

Por seu lado, o Crystal Palace parecia determinado a vingar-se de uma decisão que o despromoveu à Liga Conferência. O emblema inglês foi atirado para a terceira competição de clubes da UEFA, apesar de ter garantido uma vaga na Liga Europa… após ter vencido a Taça de Inglaterra frente a Manchester City.

Refira-se que a decisão da UEFA de “despromover” os ingleses resulta do conflito de interesses de Crystal Palace e Lyon, detidos pelo norte-americano John Textor. O Lyon teve preferência por ter obtido uma melhor classificação na Liga francesa e nem o facto de Textor se ter “desligado” dos londrinos impediu a queda para a Liga Conferência.

O Crystal Palace preparava-se para escrever direito por linhas tortas, sucedendo ao vizinho da zona rica de Londres para se tornar no terceiro emblema britânico a conquistar o troféu em cinco edições, depois da Roma de José Mourinho e do Olympiacos de Mendibilar.

E o Rayo Vallecano, apesar de ter caído de pé e de ter perdido apenas pela margem mínima, não foi capaz de contrariar a superioridade inglesa na segunda metade.

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